commuting

RTC

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#41
A título de curiosidade e por causa da imagem que o Skyforger colocou, veio-me à lembrança uma reportagem que deu há uns tempos na SIC sobre o dia a dia de um ministro. Um português e outro na Dinamarca.
Então, a Ministra do Trabalho dinamarquesa começava o dia levando à escola a filha de bicicleta. E nos dias que não tinha a agenda preenchida ou nenhuma visita ou reunião oficial, ia para o ministério de bicicleta.
Quanto estava a dar essa reportagem tinham um casal amigo em casa a jantar.
Ela, desempregada, queixa-se sempre que precisa de fazer exercício físico, tem uma bicicleta em casa que pouco lhe dá uso e tal... Aquelas coisas de mulheres. Achou "girissímo" e "inteligente" a ideia de uma ministra levar a filha(o) para escola de bicicleta. No entanto penso que ela (e sem estar a ser crítico porque cada um sabe de si), que vive numa vila totalmente plana, com excelentes condições para pedalar, continua todos os dias a levar a filha ao infantário de Audi A6. O infantário fica a 2 kms de casa dela.
Isto tudo para dizer que acham graça ver os outros fazer mas o problema é sempre o mesmo: é giro mas é para outros.
Sinceramente não sei se alguma vez as mentalidades irão mudar neste país relativamente à questão da mobilidade.
 
#42
A título de curiosidade e por causa da imagem que o Skyforger colocou, veio-me à lembrança uma reportagem que deu há uns tempos na SIC sobre o dia a dia de um ministro. Um português e outro na Dinamarca.
Então, a Ministra do Trabalho dinamarquesa começava o dia levando à escola a filha de bicicleta. E nos dias que não tinha a agenda preenchida ou nenhuma visita ou reunião oficial, ia para o ministério de bicicleta.
Quanto estava a dar essa reportagem tinham um casal amigo em casa a jantar.
Ela, desempregada, queixa-se sempre que precisa de fazer exercício físico, tem uma bicicleta em casa que pouco lhe dá uso e tal... Aquelas coisas de mulheres. Achou "girissímo" e "inteligente" a ideia de uma ministra levar a filha(o) para escola de bicicleta. No entanto penso que ela (e sem estar a ser crítico porque cada um sabe de si), que vive numa vila totalmente plana, com excelentes condições para pedalar, continua todos os dias a levar a filha ao infantário de Audi A6. O infantário fica a 2 kms de casa dela.
Isto tudo para dizer que acham graça ver os outros fazerem mas o problema é sempre o mesmo: é giro mas é para outros fazerem.
Sinceramente não sei se alguma vez as mentalidades irão mudar neste país relativamente à questão da mobilidade.
Olha, vá lá, a tua amiga ainda achou giro...há quem ache idiota e despropositado logo à partida..!:rolleyes: Mas lá está, acha giro mas é nos outros, porque quando toca a nós arranjamos sempre 1001 desculpas para não o fazer. A tua amiga, e tantos e tantos como ela, são o produto da tal questão cultural de que já se falou, da tal geração "automobilizada", que encara o carro como uma extensão de si próprio, como algo tão natural e obrigatório que é absurdo imaginar deslocações de 1 ou 2 km sem ele. É como disse, já se notam alguns sinais de mudanças, mas vai demorar...muito. Daí ser importante incutirmos nos nossos filhos valores diferentes daqueles que foram incutidos à nossa geração, para daqui a uns anos podermos falar de uma geração que já cresce com a consciência de que não deve nem pode ser dependente de um automóvel para ir tudo na vida.

Nessa tal reportagem que comparava a realidade dinamarquesa à portuguesa (tenho ideia de ter visto algo semelhante, mas aplicado à Suécia), esqueceste-te de mencionar que o ministro de português faz-se transportar em viatura do estado, com motorista. Lá está...são realidades distintas, são anos e anos de maus hábitos, de maus exemplos, não é fácil operar mudanças neste contexto, principalmente de um dia para o outro. Agora tudo o que é autarca anda muito entusiasmado com a história das ciclovias e do bike sharing....há uma boa parte dos fundos comunitários destinadas a isso até 2020. Acredito que alguma coisa de positiva há-de ficar para as cidades no meio desta febre, mas também acredito que será cometido muito disparate. A ver vamos, como diz o cego. :)

Já agora, a propósito de notícias, há dias chamou-me a atenção uma chamada de capa de um jornal regional, julgo que do Algarve, para uma notícia sobre uma professora que levava a bicicleta para a escola. Fui ler a notícia completa e não deixei de achar ridículo dar-se destaque a algo que devia ser entendido como natural. Ainda bem que foi notícia, mas numa sociedade com outro tipo de mentalidade sobre estes assuntos, o caso dessa professora que vai de bicicleta para a escola devia ser a norma e não a excepção!
 
#43
Mais um dia de commuting...
hoje foi engraçado, a pequena estava a refilar para se vestir e eu perguntei-lhe "queres ir de bicicleta hoje" bem mandou um salto do sofá toda contente foi logo buscar o "péu" (para ela ainda é chapéu) e vesti-a num ápice e foi para a porta esperar eheheh
com ele idem, costuma molengar de manhã e eu disse-lhe olha se queres vir comigo temos que sair um pouco mais cedo, correu tudo às mil maravilhas. é aproveitar enquanto dura.

A questão da cadeira, eu acho aquilo seguro, e sinto-me confortável a andar com aquele peso atrás, sem grandes maluqueiras claro ou curvas repentinas, porque neste caso sinto o peso a balançar.
Ontem quando fui buscá-la senti a cadeira a baloiçar de lado olhei de relance e era a minha filha a abanar a cabeça de um lado para o outro eh eh
Contudo não sinto desiquilibrio ou um esforço muito grande para manter a bike direita.

só por comparação uma altura andei com porta bagagens atrás e usava um alforge só de um lado, por vezes meti-a ali dentro 7 ou 8 kg e sentia mesmo o esforço para equilibrar a bike cheguei até a ter dores numa mão porque ía sempre a compensar o desiquilibrio.
Com a cadeira não sinto nada disso.
 
#45
sobre essa cena dos ministros e carros com motorista etc...

não se lembram daquele do CDS que era o ministro do emprego, se não me engano, que ía de scooter qdo era deputado e deixou de ir qdo foi ministro.... mas porquê???? o local de trabalho era o mesmo
 
#46
Já agora, a propósito de notícias, há dias chamou-me a atenção uma chamada de capa de um jornal regional, julgo que do Algarve, para uma notícia sobre uma professora que levava a bicicleta para a escola. Fui ler a notícia completa e não deixei de achar ridículo dar-se destaque a algo que devia ser entendido como natural. Ainda bem que foi notícia, mas numa sociedade com outro tipo de mentalidade sobre estes assuntos, o caso dessa professora que vai de bicicleta para a escola devia ser a norma e não a excepção!
são noticias boas mas xiça isso devia era ser normal.
noutros lados isso não era noticia....
e mesmo este tópico não deveria fazer sentido, noutro país dir-me-íam, mas o que é que este gajo quer com isto? palmadinhas nas costas? toda a gente faz isso amigo
 

MigC77

Well-Known Member
#47
Meus caros desculpem lá mas tenho que dar aqui um banho de realidade… Estamos a comparar a sociedade dinamarquesa/sueca à sociedade portuguesa, espanhola ou qualquer outra do sul da Europa. É mesma coisa que comparar o vinho com água.

Sinceramente vcs acham que seria “possível” uma figura pública: realeza, membro do governo, etc… circular de bicicleta em segurança. E já nem falo apenas do comportamento dos outros condutores ou dos peões. Só se fosse com um batalhão de seguranças atrás deles o que julgo que seria de certa forma ridículo e espalhafatoso.

Esta semana tivemos mais uma vez oportunidade de ver nos noticiários as tristes imagens dum bando de selvagens… desculpem taxistas… a vandalizarem carros e intimidarem motoristas da UBER. Este é apenas um exemplo de como esta sociedade é civilizada.
 
#48
Encorajar é preciso. Quem aprende a pedalar nunca mais esquece. No início são as brincadeiras, as voltas ao bairro, os tempos livres. Mais tarde, voltam as pedaladas como um esquema de queimar as gordurinhas e um decurso de lazer. O desafio da prática desportiva quase que vem por acréscimo. Cogitar o uso da bicicleta como meio de transporte é que são elas. Há a questão social, o status da bicicleta, “o que dirão os outros”! Desculpas e mais desculpas. Depois de se empreender uma espécie de desbloqueio mental, de um dia experimentar a dar a primeira pedalada até ao emprego, facilmente se chega à conclusão que afinal não é assim tão difícil, nem inseguro. É principalmente um hábito saudável, económico e motivador. Os comentários de admiração e ânimo que ouvi são disso exemplo. Os de desencorajamento já os esqueci.

Do tema transporte de crianças em bicicleta, lembro-me deste ridículo episódio (http://nabicicleta.com/2012/03/28/insolito-no-minimo-e-para-nao-dizer-joder/, já tem uns anos mas é apenas um exemplo da mentalidade tacanha que grassa ainda em alguns países, onde incluo o nosso. Felizmente, outras sociedades mais abertas têm ideias fantásticas http://nabicicleta.com/2012/02/16/bicycle-school-bus/ e educam com a bicicleta.
 
#49
Miguel, não vieste dar banho de realidade nenhum, vieste sim concordar com aquilo que se tem vindo a afirmar, ou seja, que há questões culturais/mentalidade que nos separam de países do norte da Europa. Pode comparar-se as realidades em termos de números, o que não se pode comparar é, tal como dizes, a realidade a nível cultural/mentalidade que, em boa parte, justificam esses números.

Quanto a uma figura pública poder circular em segurança no nosso país, porque não? Portugal até é um país com níveis de criminalidade baixíssimos. O problema está nas questões cívicas (respeito pelo próximo) e, lá está mais uma vez, nas questões culturais. Um membro do governo, figura pública ou o que seja dificilmente o faz por cá mais por questões de imagem e de status do que por outra coisa qualquer.
 

GMQ

Well-Known Member
#50
Meus caros desculpem lá mas tenho que dar aqui um banho de realidade… Estamos a comparar a sociedade dinamarquesa/sueca à sociedade portuguesa, espanhola ou qualquer outra do sul da Europa. É mesma coisa que comparar o vinho com água.
Nem mais... Quando andava aí no 10.º ano do secundário começou a dar aulas um professor, português de nacionalidade mas educado na Dinamarca. PAra além de ser uma pessoa impecável, nunca se ouvia uma má palavra. O coitada passava as passas do Algarve para estacionar o carro pois escasseando estacionamento não conseguia colocá-lo em cima de lancis ou a bloquear outros carros.
 

MigC77

Well-Known Member
#52
Miguel, não vieste dar banho de realidade nenhum, vieste sim concordar com aquilo que se tem vindo a afirmar, ou seja, que há questões culturais/mentalidade que nos separam de países do norte da Europa. Pode comparar-se as realidades em termos de números, o que não se pode comparar é, tal como dizes, a realidade a nível cultural/mentalidade que, em boa parte, justificam esses números.

Quanto a uma figura pública poder circular em segurança no nosso país, porque não? Portugal até é um país com níveis de criminalidade baixíssimos. O problema está nas questões cívicas (respeito pelo próximo) e, lá está mais uma vez, nas questões culturais. Um membro do governo, figura pública ou o que seja dificilmente o faz por cá mais por questões de imagem e de status do que por outra coisa qualquer.
Ricardo, concordo que a expressão “banho de realidade” não foi feliz.

Agora não concordo que uma figura pública o faça acima de tudo por uma questão de imagem ou status. Acho que no ranking de razões para não se deslocarem de bicicleta com mais frequência o status não será das primeiras. Na minha opinião simplesmente preferem o automóvel por uma questão cultural, por hábito, por comodidade, por conveniência, por segurança, por conforto, etc… Acho que o rol de razões ainda pode ser extenso antes de chegar ao status :) Mas também pode haver caso em que status seja efectivamente a principal razão.

Para além disso já foram aqui referidas várias razões para que podem ser entraves ao uso diário da bicicleta como meio de transporte: acesso a duches, distância a percorrer, local para guardar a bicicleta em segurança, etc…

Abraço
 
#53
Ricardo, concordo que a expressão “banho de realidade” não foi feliz.

Agora não concordo que uma figura pública o faça acima de tudo por uma questão de imagem ou status. Acho que no ranking de razões para não se deslocarem de bicicleta com mais frequência o status não será das primeiras. Na minha opinião simplesmente preferem o automóvel por uma questão cultural, por hábito, por comodidade, por conveniência, por segurança, por conforto, etc… Acho que o rol de razões ainda pode ser extenso antes de chegar ao status :) Mas também pode haver caso em que status seja efectivamente a principal razão.

Para além disso já foram aqui referidas várias razões para que podem ser entraves ao uso diário da bicicleta como meio de transporte: acesso a duches, distância a percorrer, local para guardar a bicicleta em segurança, etc…

Abraço
Claro, perfeitamente de acordo. E se calhar a expressão "status" também não foi a mais feliz para ilustrar o que eu queria realmente dizer. No fundo, resumiste isso de uma forma mais objectiva nesta tua intervenção. Quando referi o termo "status" foi mais nesse sentido da questão cultural, da comodidade, do hábito enraizado, do ainda ser encarado com muita estranheza o uso da bicicleta numa lógica commuting.

E sim, há todos esses entraves que já mencionámos (chuveiros, distâncias, parqueamento, etc..) que nos inibem ou nos ajudam a arranjar desculpas para não usar a bicicleta numa base diária e rotineira (e contra mim falo) :rolleyes:
 
#55
bom pessoal ....

confesso que "afinei" um bocado com história do capacete, preferia que o foco tivesse ido para o outro lado ( e acho que até foi).
No fundo concordo convosco em relação ao capacete, é uma protecção individual... e "cheat happens" por isso é melhor tê-lo no sitio.
Por isso desculpem-me o meu "afinanço" inicial :cool:

só para esclarecer esta história do capacete, eu concordo com o uso do capacete e uso-o. nas minhas viagens diárias facilito um bocado, mas penso nisso, que devia de o usar (mas odeio o capacete que tenho)
e com eles tb uso a maioria das vezes, exactamente por causa do exemplo, na pequenita isso é mais evidente, assim que pego no capacete ela agarra no dela a pedir para eu o colocar. o mais velho já faz isso naturalmente, mas ao inicio tb usava para ele usar o capacete mais facilmente.
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Eu já parti alguns e adquiro sempre o mesmo, é porque fez o seu dever e bem.

uploading images

Não tenho mais nada a dizer.
 
#56
Eu uso capacete e tenho seguro, porém... o capacete é como o seguro, não é obrigatório. Ponto final, parágrafo.

Não é obrigando alguém a fazer o que quer que seja, que esse alguém o fará e não é obrigando a população toda a usar capacete no seu percurso casa-trabalho-casa, que o número de carros diminuirá.

Exemplo: https://www.flickr.com/photos/bikeportland/8942601885/

Não muito longe daqui, mas a milhões anos luz no que diz respeito a segurança para os ciclistas. https://vimeo.com/86721046
 
#60
@JoseMota

Gostas desta foto.


Podes comentar.
Gosto sim senhor .. estava era quase a morrer, que tareão memorável. penso várias vezes num remake dessa volta (audace).
Ainda ha pouco tempo andei pelo site dos audaces só para ver como andava aquilo, ainda la está o meu tempo.... 8h30 e o tempo limite era..... 8h30 ehehe
um abraço. recordar esse dia (que na verdade foram 2) é sempre fixe, vai ficar para contar aos filhos e depois aos netos.