Treinar baseado em frequência cardíaca.

#1
Recentemente adquiri um smart trainer, com potencia incluída, para tornar os treinos indoor um bocadinho menos secantes de modo a participar no Zwift.

Qualquer modo antes tinha a ideia que para treinar com algum grau de rigor (na estrada) tinha que ter necessariamente power meter, e que treinar baseado em fc era algo de antiquado.

Qual não foi o meu espanto, quando comecei a treinar no rolo com potencia, que reparo que há uma relação quase linear entre a potencia e fc.

Já tinha uma ideia que assim seria, mas não com esta exactidao. Até já sei que num dia normal no rolo as 120 e tal pulsações estou a fazer mais ou menos 210-220w por ex.

Deixo o exemplo de uma volta recente no Zwift



Isto para dizer o que, ia fazer um esforço para comprar um power meter, para os treinos que faço cheguei a conclusão que para já, treinar por fc chega perfeitamente.

Como sou nabo nestas lides ciclísticas e ainda me estou a iniciar, achei curioso partilhar.
 

klaser

Well-Known Member
#2
Eu também como não tenho possibilidade de comprar um powermeter,treino baseado na FC....O ponto positivo é que existe sim uma relação entre FC e potência,e outro ponto positivo é que é bem melhor que não ter nada para nos basearmos...no entanto...
É preciso conhecer bem o corpo,porque a nossa frequência cardíaca pode estar influenciada por vários factores como descanso (horas dormidas),temperaturas tanto exterior como do corpo,hidratação,ansiedade,entre outras....Podemos num dia estar a 170bpm e produzir 300W e no outro nas mesmas 170bpm e tar a fazer 200W....
Outra fator contra é que as bpm demoram um bocado a reagir,se estamos a 120bpm e começamos um sprint violento,a potência vai de imediato dar um salto,enquanto o coração vai demorar uns bons segundos para ir lá para cima..e o contrário também é verdadeiro,estamos no fim do sprint,paramos de pedalar,a potência então é zero mas a velocidade e as pulsações estão lá em cima....Se não for conjugado com um sensor de cadência,podemos ter valores de potência bastante errados...
Eu uso as bpm para estabelecer meu "FTP" e nisso ajuda muito....por exemplo,eu sei que mau máximo são 182bpm,mas eu aguento 20 ou 30min no máximo a 172bpm,mais que isso estoiro....Claro que como disse acima eu posso num dia produzir X watts a 172bpm e noutro um valor bem diferente,mas no caso é usado como um conta rotação que partir dali não convém passar em logos tempos,só em curtos....
Depois de conhecer bem o corpo começamos a saber se para dado esforço estamos com as pulsações altas ou não,podendo ser indicador dos fatores acima referidos (pouca recuperação,fadiga,etc )
Há inclusive no mercado fitas cardíacas que aliadas a um suposto logaritmo funcionam como powermeters,ou seja,fornecem dados de potência. Testadas estas mesmas fitas revelam que há sim uma relação entre FC e potência,mas apenas para apurar valores de potência média ou em intervalos de tempo maiores,pois em termos mais instantâneos os valores não conseguem ser fiéis.
 

DMA

Well-Known Member
#3
speedjunkie a explicação do klaser diz tudo.
O principal problema é o "lag" entre tu subires o nível de potência e as pulsações acompanharem e estabilizarem.
Para treinos a ritmo constante ou séries longas não é limitativo. Para séries curtas, já poderá ser.
Mas treinar pela FC e completamente viável, foi e continua a ser um método completamente aceitável.
Faz é como o klaser disse. Determina a tua fc no limiar do lactato, e assim consegues calcular balizas para as tuas diferentes zonas de treino.
E alguém com experiência, pela cadência e sensação nas pernas consegue ter uma excelente noção da zona em que vai.
Junta tudo isso e vais conseguir fazer excelentes treinos mesmo sem o PM.
 

GMQ

Well-Known Member
#4
speedjunkie a explicação do klaser diz tudo.
O principal problema é o "lag" entre tu subires o nível de potência e as pulsações acompanharem e estabilizarem.
Para treinos a ritmo constante ou séries longas não é limitativo. Para séries curtas, já poderá ser.
Mas treinar pela FC e completamente viável, foi e continua a ser um método completamente aceitável.
Faz é como o klaser disse. Determina a tua fc no limiar do lactato, e assim consegues calcular balizas para as tuas diferentes zonas de treino.
E alguém com experiência, pela cadência e sensação nas pernas consegue ter uma excelente noção da zona em que vai.
Junta tudo isso e vais conseguir fazer excelentes treinos mesmo sem o PM.
DMA desculpa a intromissão. Esse teste é tal de 30 minutos a fundo e depois vemos a media das pulsações durante os 20 minutos. Para determinar depois as zonas como se faz?
 
#8
...isso é tecnica e profissionalismo de tal ordem que ao comum do desportista ainda que equipado com bikes de 10.000 euros e equipamentos a condizer , nada interessa ... a não ser que o vosso objetivo é de participarem para o ano no Tour .


O desporto faz bem mas praticado de forma NATURAL !

Tu no teu carro ou mota tambem diariamente e por forma a dar-lhes uma vida longa não andas sempre que metes uma mudança a esticar até ao redline ou a ver sempre se estás no redline .


Vou dar-te uma dica que todos os profissionais sabem :

Treino aeróbico ( criares resistência ) : consegues dizer uma frase completa sem interromperes com respiração .
Queima de gorduras : consegues contar a tua história da vida .
Treino anaeróbico ( construires fibras musculares ) : consegues apenas dizer duas palávras .


O resto é pallhaçada comercial ... explora o teu corpo e não o pulsómetro !
 

grouk

Active Member
#9
tipos dedicam uma vida inteira ao estudo dos métodos de treino e tudo e o que lhe está associado horas infindáveis a treinar, e afinal o user "bike_evora" é que sabe tudo... Bike_evora a presidente já
 
#10
Eu antes treinava, quer dizer, usava a palavra "treino" nas minhas voltas de bicicleta, asism que comecei a treinar como deve ser e baseado na FC o meu rendimento passou a ser outro completamente diferente. Em termos de potenciometro, no tenho, apenas acho curioso como o strava nos informa, mas aquilo nunca é viável, é mais por curiosidade.

Há umas fitas que fazem o calculo da potencia, mas não sei até que ponto nos podemos fiar naquilo minimamente.
 
#11
É importante tambem nao ficar escravo da tecnologia. Evolui-se muito sim e sabemos mais que ha uns anos atras mas ainda nao ha respostas para tudo e o treino é tanto uma ciencia como uma arte. O uso de medidor de potencia e pulsometros nao é indispensavel como se quer fazer pensar. Há muitos ciclistas que chegaram ao mais alto nivel sem nunca usar um. Temos o Nairo Quintana que fez 2º no seu primeiro Tour e o Philippe Gilbert que treinou sempre por "feel" e que quando a equipa o obrigou a treinar com potencia (2012)como os outros nunca mais foi o mesmo.

Do you have the feeling of being and old style rider?

Philippe Gilbert:
No, then I would not get any result. But it is true that I train mostly by feeling. In the team (Lotto), we have Powertap but I do not use it. I do not even have a heart rate monitor, but I always know where I am. I never analyze my training with the computer or graphics. I have not got a clue about how many watts I produce in a climb. That is totally unimportant. What you have to check is how fast you are moving, and the difference you do in relation to other.
Recently though Gilbert once again reiterated his belief in training by ‘feel’, even going so far as to blame his poor early season form this year on allowing his BMC coaches having him adhere to ‘numbers’:

After that first team training in December 2011 I was dead. I respect the process of my bosses, but I’ve learned to talk. I’m an old rider. I’m too old to change now. I’m not interested in numbers and values. A cyclist is not a Formula 1 driver who gives all numbers of the machine to engineers after testing and then there is a solution.”
 

grouk

Active Member
#12
eu não posso concordar, os ciclistas são funcionários de uma empresa e se o seu patrão lhes dá uma ferramenta para a usar têm que a usar e mais nada. era o mesmo que o meu patrão me mandar mandar um email e eu mandar uma carta e depois dizia lhe que eu não gostava dessas modernices. as coisas mudam e nos temos que evoluir também, ainda para mais a nível profissional. na maioria dos casos a questão é mais funda é que com medidor de potencia o DD consegue saber se o seu atleta está a dar tudo ou se foi na ronha e muitas vezes os atletas não gostam de ser espiados.
era muito simples o atleta diz ser da velha guarda e não gosta de modernices, ok então levas uma bike de aço com mudanças no quadro e 5 velocidades
 

Carolina

Well-Known Member
#13
grouk, isso também não é bem assim. nem todos os métodos funcionam para toda a gente.

o cavendish na sky, também não usava nada disso. eles bem que tentaram metê-lo a sprintar nos rolos, para verem a potência que conseguia desenvolver, etc, e desistiram ao fim de pouco tempo.

depois tens o oposto com o contador, por exemplo. treinava por feeling e só a partir do final de 2013 é que adoptou estes métodos mais científicos.

claro que ainda há aqueles que não querem nada, nem sequer treinar e depois acabam por desistir porque não se querem dar ao trabalho de mudar (aka andy schleck)
 

Rapido

Active Member
#14
Eu, por acaso, como só adquiri um cardiofrequenciometro recentemente ainda me estou a estudar. Acho curioso que quando corro aguento FC cardiacas mais altas durante mais tempo, do que quando ando de bike. De bike, a partir das 150 bpm começo a sentir desconforto enquanto a correr 160 aguento sem problema 35/40 minutos. Mas também já sei que se for muito tempo no 170 bpm vou rebentar em breve.

Acho que é um dos aspectos mais positivos de fazer este tipo de treinos, é conhecer os nossos limites e só assim poderemos progredir e saber que se estamos a evoluir.
 

JPLopes_73

Well-Known Member
#15
Comprei uma nova ... GEONAUTE (decathlon) ... perdi ou extraviei a outra ... um dia destes aparece num canto qualquer ...
esta parece estar a moderar mais os batimentos ... mas mesma assim já a estiquei aos 179 bpm

ontem tive pena ... voltei a treinar fora da minha zona de conforto ... e esqueci-me dela em casa ...
fica a foto final com a bomba a dizer PODES PARAR SFF ...

mas na corrida a intensidade cardiaca em plano é sempre mais baixa ... 10k na avenida ...