As voltas do Fogueteiro

Não sei para quê essa cara seria??? estavas a tentar meter medo à subida???

Pelo que vou lendo por aqui essa Santa Helena, encarrega-se de "desfigurar" os ciclistas que se aventuram estrada acima.

Ah, isto com fotos é muito mais interessante e mete muito mais "inveja" a quem nunca por aí andou.

Abraço.
 
Armando,

só me lixas!!:D:D;)

E para chegar a esta "beleza" nem imaginas as que tirei. Eu e as selfies (pareço um teenager) ainda não somos muito amigos.;)

A cara de mau, talvez fosse pelo muito frio que estava neste local... seria???? ;):D
 
A conquista do ....inho

Boas pessoal,

há muito tempo que não utilizo este espaço. Várias razões me levam para longe desta casa, mas sobretudo a falta de tempo. Depois vem a falta de tempo para pedalar. Fugi do Porto onde tinha tempo para pedalar todos os dias, e aqui no campo, existem muitas mais coisas boas para fazer, e constatamos que a vida afinal é muito mais do que a bicicleta. Mas sempre que posso lá vou eu descobrir as estradas da zonas, desertas e fascinantes, utilizando palavras do André.

Na minha “caderneta” ainda faltam alguns cromos, e um deles era o tal “...........inho”. Já andava na minha cabeça há algum tempo conquistá-lo, e caí na asneira em dizê-lo ao meu amigo de doidices, o Luís Cabaço. Ele lá se comprometeu a arranjar uma volta, tendo no meio o tal doce chamado “......inho”. Mas há sempre uma (ou muitas) surpresa nos percursos que este senhor inventa.

Eram 7,30 da manhã, do passado Domingo, quando eu, o Luís Cabaço, o Marco (um amigo lisboeta), e o Hugo (cara nova para mim, membro do grupo cicloturista PNSC). Logo a abrir as hostilidades começaram: 5 kms a subir. Fizemos a subida em amena cavaqueira o que fez com que não custasse muito. O andamento era baixo, porque o dia prometia ser duro... muito duro, aliado ao sol abrasador que se iria sentir. As subidas por estas bandas abundam, e de que maneira, e há algumas que consomem os músculos até à última fibra. O pior foi que essas subidas foram mais que muitas.



Umas pedaladas na chamada estrada do céu, a N112, e depois a longa descida do Colmeal, ajudaram os músculos a recuperarem, para a dolorosa subida que se seguia até ao alto Ceira. Entretanto bem lá no alto já se vislumbrava o objetivo da tirada, o “.......inho”. De longe até parecia fácil e isso reanimou-me e em bom andamento chegamos à base da subida.

No início até que nem foi muito difícil, mas rapidamente os meus andamentos (25x34) revelaram-se insuficientes.... sim porque a culpa nunca morre solteira;);). Penso que a idade e a falta de treino não são determinantes, mas tenho que aceitar a dura realidade: “ Ó pah, não vês que o vigor e força dos 50 não é a mesma que tinhas quando eras “chavalo”?”



Pedalada ante pedalada lá fui subindo, muito lentamente. Os dois amigos de Lisboa fugiram serra acima e eu fiquei com o Luís. Não tenho vergonha em dizer que parei umas 3 vezes, sobretudo junto da eólicas, onde os 17% marcavam presença. Finalmente cheguei ao alto, junto da capela. Olhei para Oeste, e vi a imponente serra da estrela, para noroeste o caramulinho, para este o Trevim.



Onde estava eu? Sim, tinha conquistado mais um cromo e que cromo: O CULCURINHO. Esse era meu e ninguém mais o tira. Custou? Sim custou-me muuuuito. A subida nem por isso é muito longa, pelo menos pela vertente escolhida, mas a inclinação é muita e mais ou menos constante nos 12,5%.




Conquistado o cume agora bailava outro assunto na minha cabeça: Os 90 kms que restavam para chegar ao fim, sabendo que esses iam ser percorridos em percurso puramente montanhoso... mas eu não sabia o que me esperava. Veio depois a saborosa descida ao Piódão, e uma saborosa sopa. Apenas um aparte: Fiquei totalmente desiludido com o Piódão. Já lá tinha ido há muitos anos com um ambiente bem mais calmo, mas o turismo e as atividades anexas estragaram tudo. Não há locais igualmente bonitos em Portugal?



Agora tínhamos de subir o que descemos. O sol abrasava e secava a boca de tal maneira que toda a água que bebíamos parecia uma gota num incêndio. Lentamente chegamos ao topo e impusemos um ritmo interessante a meia encosta, mas o que é bom dura pouco e este foi mais um caso desses. Aquelas cruéis palavras “vira à esquerda” eram como uma sentença de morte. Começou logo o martírio. Com muita frequência o meu altimetro marcava 11, 12, 15%. A satisfação era que depois dum calvário vinha um descida, mas era satisfação de curta duração. Por serem inclinadas atingíamos velocidades elevadas e depressa chegávamos ao fundo sem sequer conseguirmos recuperar o fôlego da subida anterior. Fórnea, Covanca, em pleno Açor, Malhada do Rei, Unhais o Velho, foram aldeias que significam beleza e para um cicloturista muito esforço.




Finalmente chegamos ao final desta epopeia. Foi um dia com muito boa companhia, perdidos nas montanhas e serras da beira alta. Teve muita dureza, mas como diz o Luís Cabaço: "Poderia ter sido diferente, mas não seria a mesma coisa.” Chegamos satisfeitos em todos os aspetos, e com vontade de nos reunirmos novamente para mais uma odisseia.

Mais fotos aqui

Dados da volta: 145 kms (162 para mim)
Acumulado +: 3245m
Tempo em andamento: 8 horas
Inclinação média: 4%

P.S: O único inconveniente, para mim, foi o de ter que carregar uma mochila, mas tenho que admitir que fez muito jeito, porque em todo o percurso apenas encontramos um sitio onde comer alguma coisa, no Piódão.
 

Lyp

Active Member
Ora, de volta aos relatos! Muito bom!

Tenho saudades do tempo em que escrevias as tuas voltas... O fórum era muito mais rico do que hoje, que serve apenas para alimentar egos e pouco mais. Chega a ser quase cômico.

Mudar da cidade para o campo, deve ter sido interessante... Perdeste algumas coisas com certeza, mas ganhaste qualidade de vida... Não?

A vida vai mudando, e os nossos hábitos têm que ser adaptados. De qualquer maneira, para quem tem pedalado pouco foi uma volta de respeito!

Espero que voltes com os teus relatos, mesmo que sejam menos regulares.

Parabéns, obrigado por partilhares.
 

Bruso

Well-Known Member
Obrigado pelo relato e pela maneira inteligente como criaste suspense para descobrir o destino, o tal "...inho".

Concordo com o Lyp, fazem falta relatos de voltas neste fórum. Tinhamos 4 ou 5 membros que escreviam grandes relatos com excelentes fotos. Hoje em dia já não há nenhum. Eu vou tentando mostrar algo do que vou encontrando mas não tenho tirado muitas fotos e as poucas que vou tirando vou colocando no Instagram (como já foi dito noutro tópico, o facto de haver tantas plataformas sociais para partilhar as fotos afasta um pouco esse tipo de partilha do fórum).

Parabéns e continua!!
 
Uma volta bem documentada com fotos e uma escrita agradável. Tinha saudades deste tipo de leituras.

Já tive a experiência de pedalar em julho sob temperaturaturas abrasadoras e apanhei umas rampas mais empinadas de fazer parar o coração e por isso imagino como deve ter sido dura a jornada e também gratificante.
50 anos não é um fator limitante, até porque o gosto fica mais apurado com a idade; os percursos dos passeios, desenhados com requintes de bom gosto satisfazem a gulodice dos leitores de histórias de cicloturismo
 
Parabéns Zé pelo regresso.

Olha a sorte que eu tive em vir aqui dar uma espreitadela!

Confesso que fiquei com inveja desta tua volta. Ainda ha dias andei aí à volta do Piodão de carro e cresceu-me uma vontade enorme de percorrer essas estradas.

Gostei especialmente da mata da Margaraça com aquele "Pavê" e ainda cheguei a fazer aqui uns rabiscos para la ir, mas não tenho tido disponibilidade para tal.

Boas pedaladas e um grande abraço.
 
Grandes fotos e excelente relato, tambem já subi ao Culcurinho mas por trilhos e de ténis :) essa zona é brutal, andar por ali ao pé das eólicas descer e voltar a subir tudo para o Culcurinho é obra. Cada subidinha ali tem uns bons 400 a 600 D+ e só de olhar doi.

Abraço e boas pedaladas
 
Olha olha, quem é ele! É um enorme prazer voltar a ler-te por aqui ;) Sei que a minha opinião é partilhada por muitos outros e não irei insistir naquilo que já se disse, mas fazem falta relatos como este para alimentar um fórum que está....diferente. Mas a vida é assim, nada permanece imutável e compete a cada um escolher o seu caminho e o seu espaço.

Para além do relato, soberbo e de deixar aquela vontade de ir conhecer o tal ".......inho", achei piada ao que escreveste sobre a tua mudança da cidade para o campo. Também passei pelo mesmo processo há alguns anos e é mesmo algo de nos fazer alterar todas as prioridades e de encarar a vida de forma diferente. E caiu por terra o mito de que "no campo há tempo para tudo". Haver mais tempo até há, o tudo é que se multiplica por 1001 outras coisas mais ou menos interessantes. ;)

Volta mais vezes e ainda está pendente o nosso café ali pela zona de Alvaiázere ;)
 

duchene

Well-Known Member
Bem-vindo de volta Zé.

Quem me dera contar com essa vitalidade nos meus 50. Será bom sinal!

Ainda que as lides de fora da cidade te possam tomar mais tempo, não deixes de aproveitar o privilégio que é ter esse fantástico quintal por perto. Afinal de contas, aposto que o bichinho das aventuras de bicicleta só precisa de ser espicaçado de quando em vez para voltar em força a fazer das suas...

Um grande abraço e que venham mais dessas pedaladas com paisagem!
 

Martins

Well-Known Member
Sou novinho por aqui, por isso foi a primeira vez que li uma crónica tua...

Entretanto estive a ler o tópico inteiro. Que maravilha de histórias. Algumas serão inspiração para próximas voltas.

Não pares. Fazes falta.

Muito obrigado. E pelos vistos partilhamos o mesmo nome.

Um abraço do Zé para o Zé