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PSD quer tornar obrigatório uso capacete nas trotinetes e bicicletas elétricas

armenioga

Member
@fernandes_85 , só pelo título da notícia, já me revejo.

(quase) Nada é feito, em especial nas cidades, para dar segurança aos mais vulneráveis. E quando é feito, é-o no sentido de segregação, isto é, retirando direitos aos mais vulneráveis e aqueles a quem a cidade deveria servir!

Faz algum sentido reservar-se tanto espaço público para o automóvel, que passa mais de 90% do tempo parado? Faz algum sentido Faz algum sentido o temporizador de 30 segundos nas passadeiras, causando stress a pessoas com mobilidade reduzida? Faz algum sentido haver caça à multa a viaturas sem pagamento ou dístico, mas estacionamentos nos passeios e passadeiras serem aceites? Faz algum sentido em vias estreitas, prever-se estacionamento em vez de se alargar os passeios para que sejam aptos a pessoas com mobilidade reduzida? Faz algum sentido ocupar passeios com parquímetros (em especial em passeios com menos de 1m de largura)?

No fundo o que se está a fazer é aceitar que os peões (e utilizadores de mobilidade suave) são na sua maioria cidadãos de 2ª ou 3ª porque não estão num veículo!

Epah, este tema para mim é um tema sensível. Tenho carro, mota e bicicleta. Movimento-me na cidade maioritariamente de mota.. Mas estou desejoso que chegue o dia em que o escritório muda para uma localização a cerca de 6km de casa para poder usar a bicicleta ou transportes públicos (onde estou atualmente, apesar de haver transportes públicos, o tempo de commute, devido ao transito automóvel privado, é demasiado grande para os transportes públicos serem opção).

Custa-me mesmo ver as coisas a irem neste sentido. E estas obrigaçõzitas da treta apenas irão fazer com que menos pessoas usem as trotinetas e bicicletas partilhadas. (é uma forma de limpeza... há quem lhes chame praga...)
Mas são veículos amigos do ambiente e da nossa saúde..
 

saikocandy

Active Member
sim, para haver enquadramento, para quando algum commuter for albarroado por um ligeiro, a seguradora ter por onde pegar para se escusar a pagar despesas. É aqui que que entra esse tipo de legislação.

O objetivo do PSD é claro: é dar mais valor a quem dá mais votos: aqueles que vêm com asco os utilizadores de bicileta e trotineta a não ficarem parados no transito e a terem impunidade total no cumprimento das regras de trânstio: a maioria dos condutores! É uma media popular. As minhas visitas nas redes sociais, cada vez mais mostram essa polarização e cada vez mais pessoas - mesmo utilizadoras ocasionais de bicicletas - concordam com este tipo de medidas (e mais! Matriculas para as bikes e seguros obrigatórios?! - notem que o PSD já mandou o barro à parede com mais uma para as seguradores: o seguro obrigatório para as casas, por causa das tempestades!).

Desculpem a politização do tema.

Nota em tom de desabafo: até eu que considero que sempre fui uma pessoa ponderada e razoável, tentando ver ambas as faces da moeda, começo a ficar contagiado e polarizado.

Acho que achar que isto é uma cabala contra os utilizadores de meios-que-não-são-carros é ignorar o facto indesmentível do crescimento descontrolado de meios de transporte não enquadrados no código da estrada - este dispara a toda a hora em novas tendências.
Ontem eram apenas trotinetes hoje são "motas" eléctricas sem matricula a partilhar velocidades com motas convencionais, ou aquelas bikes com motores a dois tempos adaptadas, alias, farto-me de ambas em que a malta anda sem capacete, montados a dois e tudo;D

O facto de haver tensão entre utilizadores da estrada não nos pode simplesmente fazer fechar os olhos a coisas que nos atingem a todos, sejas utilizador de qualquer um.
Quanto às matriculas e seguro, isso são invenções do ACP, é parvo e como costumo dizer se um peão não tem porque haveria de ter uma bicicleta? Depois aceno com o número de carros não segurados que existem e são apanhados.

Mais uma vez, o facto de haver idiotices em algumas propostas não as tornam TODAS idiotas. Até porque o mundo evoluiu, junto com os meios de transporte que se multiplicaram-se em velocidades, agilidade, facilidade de aquisição/aluguer.
Temos também centenas de distrações que nos abstraem que não existiam, tanto nos carros como em todos os que partilham as cidades.

Vejo centenas de pessoas a correr na ciclovia completamente alheadas por causa dos headphones, um gajo tem de gritar com elas, já que a campainha não funciona. Isto não tem nada a ver com carros e continua a ser um problema. Civismo? As tais questões do alheamento? São problemas novos têm de ser discutidos.

Eu acho a questão dos miúdos nas trotinetas muito pertinente.
 

fernandes_85

Well-Known Member
@saikocandy o espaço é uma coisa finita e quando tens vários meios de transporte distintos a concorrer pelo mesmo espaço naturalmente acaba por tornar-se uma disputa natural, não se trata de ser ou não uma cabala. É um facto indesmentível que o nosso espaço público e o investimento associado até aos dias de hoje foi dedicado em exclusivo para o automóvel.

Quando em Lisboa começaste a criar ciclovias tens basicamente 2 hipóteses:
1. Roubas espaço ao automóvel, exemplo a tão famosa ciclovia Almirante Reis. Pergunto quem foi que andou a fazer campanha negativa para a solução da ciclovia?!
2. Metes uma ciclovia/pedovia no passeio com peões, trotinetes, bicicletas num mesmo espaço exíguo, não mexendo no espaço destinado ao automóvel.
Exemplos são tantos que nem vale a pena, mas ainda ontem passei na marginal em Caxias eram umas 9h estava pouco trânsito e tínhamos 2x2 faixas destinadas ao automóvel e um passeio de 1,5m onde consegui ver corredores, peões, senhora empurrar carrinho de bebé, trotinetes, bicicleta elétrica, casal a passear os cães.

Ou seja e em jeito de conclusão, quando vês o pessoal do ACP e afins muito preocupado com a "segurança" e as medidas que propõe é capacetes e coletes refletores pode não ser uma cabala, mas desconfia do altruísmo porque não procuram mais do que manter o status quo, em que o carro é o centro e prioridade de todas as politicas de mobilidade.
 

saikocandy

Active Member
Mas os problemas das trotinetes e afins não começam nem acabam nas zonas partilhadas por carros, quanto a mim nas ciclovias está um enorme problema (dada as velocidades). Quando os miudos têm acesso a um meio que pode exceder velocidades elevadas mas no qual não se exige o minimo de normas de segurança para estes e para os outros vamos só centrar-nos nos carros e em Lisboa - como se o resto de Portugal não contasse para nada, e ignorar tudo o resto. É essa a solução. Boa.

NOTA: o ACP não é governo o ACP é um "lobby" como todos os outros. Grande parte das suas lutas não têm resultados práticos nem vingam
 

Monstro

New Member

cconst

Well-Known Member
SOIGNEUR
@saikocandy Eu até refiro algures que sinto que estou a ficar polarizado. Mas aqui o tema - apesar do disclaimer - não é esse.

Já existem leis:
- uma bicicleta elétrica não pode andar autonomamente, só por assistência e limitado até 25Kmh
- as trotinetas têm que estar limitadas a 25Kmh
- os ciclistas podem circular a par, desde que não causem especial embaraço ao trânsito
- para ultrapassar uma bicicleta/trotineta tem que se dar uma distancia de segurança de 1,5m
Isto para numerar apenas algumas relevantes aqui para a discussão, pois o CE tem muita coisa prevista!

O que não existe é formação, informação nem fiscalização. Nas escolas, as aulas de cidadania são uma comédia. Estes temas, a par do tema da moda - literacia financeira - deveriam ser conteúdo obrigatório!

Tendo ainda em conta os limites legais (!!!) das bicicletas e trotinetas elétricas, uma queda sozinho (Que é para isso que o capacete serve) evitará assim tanto? Quantos de nós - maiores de 40 anos - em putos não andámos por esses montes fora todos desvairados apenas com a roupa que tínhamos no corpo? O que o capacete não protege é uma queda no caso de uma projeção em caso de uma colisão com uma viatura de 1200 kg (que cada vez são menos) a circular a 50Kmh!

O capacete é um dispositivo de proteção individual. Como tal não protege o seu utilizador dos eventos externos... tal como os carros, outras bicicletas, peões, cães. motas... Para proteger os utilizadores de trotinetas e bicicletas existem as regras do CE! Porque o bom senso e respeito mutuo à muito que deixou de existir, tendo sido substituído pelo "umbiguismo".

Como se costuma dizer... Se não usam capacete é porque não têm nada de importante para proteger.
é uma frase bonita, embora nunca a tenha ouvido. E se no caso de uma mota (mesmo uma motorizada) em que as velocidades são facilmente acima dos 50 Kmh, parece-me que a necessidade é claramente outra.

Se soubessem a quantidade de gente que todas as semanas vai para o hospital com a cabeça rachada à conta das trotinetes...
Tenho um amigo que caiu numa daquelas que se aluga e lá foi ele de ambulância todo ensanguentado com a cabeça aberta. Foi o Inem que o foi buscar e disseram-lhe isso mesmo, é raro o dia que não transportam pessoas no mesmo estado.

Acredito que uma medida destas ajude a reduzir estes casos e consequentemente reduza o uso de meios utilizados.
Sem desrespeito - até porque considero que é uma profissão que só a faz quem tem sentido de missão, e cada vez menos pessoas o têm - esses técnicos do INEM sabem o estado da pessoa que estão a ajudar/salvar. Não sabem todas as condicionantes que levaram ao acidente. Portanto, é daquelas coisas que eu enquadro num achismo (como alguns dos meus argumentos! Pois todos nós somos influenciados pelas nossas vivências).

Não sei se alguma vez referi aqui, mas já fui monitor num comboio de bicicletas com miúdos. Daqueles para irem para a escola. Vocês não têm a noção da animosidade e dos perigos a que os condutores sujeitavam os miúdos! Mesmo com os miúdos estando contidos entre monitores a darem o corpo (e sinalizados com coletes refletores) muitos carros passavam a menos de 1m... Isto numa zona de Lisboa onde o trânsito é mínimo!

Ainda no contexto dos comboios de bicicleta, fiz uma mini formação de uma manhã. Os formadores foram questionados sobre o uso do capacete:
- Crianças só podem participar usando o capacete
- monitores podem usar ou não
A justificação tem a vez com a experiência. A probabilidade de cair é menor. E a probabilidade de ao cair ter um ferimento grave é ainda menor.

Estas obrigações baixam o número de acidentes, porque vão baixar o número de utilizadores. E, onde existem mais acidentes - que penso ser no meio urbano - o que se deveria fazer é incentivar o uso de transportes coletivos e meios de mobilidade suave (bicicleta e a pé). E não o contrário, como criar estacionamentos no centro da cidade (em campo de ourique a CML fez fum estacionamento de cerca de 90 lugares. Custou cera de 3 000 000 Eur... perto de 33 750 Eur por lugar!!!)

Desculpem o alongar e o eventual tom que possa ter dado no meu texto. Este é um tema que me emociona. Todas as opiniões são válidas e mesmo eu estando contra, fazem-me pensar e argumentar a minha posição. Mas isso alarga-me os horizontes. Desculpem se ofendi alguém, não é de todo a minha intenção.
 

fernandes_85

Well-Known Member
o ACP não é governo o ACP é um "lobby" como todos os outros. Grande parte das suas lutas não têm resultados práticos nem vingam


"O estudo conclui que "os portugueses estão cada vez mais adeptos do carro", sendo que "três em cada quatro condutores conduzem diariamente, sendo, também, a quase totalidade, condutores de veículos ligeiros: "47% dos condutores faz entre 50 a 200 km por semana""

Juntas isto aos números da sinistralidade e o resultado é os nossos deputados proporem capacetes e coletes refletores...Se isto não é um sucesso (do ponto de vista do Lobby) então não sei o que seja...

Já agora reforçar uma vez mais, que ninguém discute a utilidade do capacete e a recomendação do seu uso. O meu problema surge quando a sua obrigatoriedade é a proposta para resolver o grave problema que temos na mobilidade.
 

nmt

Well-Known Member
Ainda bem que tenho um capacete homologado para downhill... parece que vou ter de passar a utilizá-lo para commute... para btt menos agressivo ou para a bike de estrada não, já posso usar um capacete aberto...:p
 

cconst

Well-Known Member
SOIGNEUR
Sem querer levantar muita poeira neste tópico em que existem visões dispares sobre o tema (o que na minha opinião é muito positivo), deixo o link para um artigo do #LPP - Lisboa Para Pessoas:
O paradoxo do capacete obrigatório
Acho interessante a sua leitura apesar de adoptar um tom "tenho razão porque apresento referencias que compravam o que escrevo".
 

{the_crow}

Well-Known Member
SOIGNEUR
Ainda por cima a estrada ( se bem que ja nao passo la há algum tempo .. mas se for pelo padrao das estradas nesta "triste" cidade deve continuar uma miseria.. ) deve ter contribuido para a severidade da queda.... enfim... uma tragedia evitavel por varios motivos...
 

fernandes_85

Well-Known Member

E para estes casos?? Paraquedas mandatório ou basta o capacete?
Ah já sei nestes casos, basta após a ocorrência deixar nas redes sociais um RIP ou um que Deus te receba no céu e por ai......


Aproveitar para informar que andar 2 pessoas numa trotinete já é proibido (art.91 do CE)
 

xtpo

Active Member
Não sei como foi a vossa infância, mas na minha havia muita bicicleta. Capacete ninguém tinha, "corridas" com 2 numa bicicleta ou deslocações em que iam 3 sei lá como. Quedas houve muitas, olho para trás e digo "p*** de sorte". Quedas, acidentes, mortes, vão sempre haver. Hoje muitas são em trotinetes, antes eram em bicicletas. Já não falta muito para a teoria da seleção natural de Darwin fazer 200 anos e continua atual.
 

tuga

O homem faz o que pode, o destino o que quer...
SOIGNEUR
… a teoria da seleção natural de Darwin …
Eu, com os meus tenros 59, tenho sucessivamente vindo a acumular mais e mais temas para a solução dos quais deposito toda a esperança na teoria desse Senhor ;) :cool:
 
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