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View Full Version : As voltas do Indy & Cia



indy
19-06-2011, 21:31
Apesar de não participar muito, sou um assíduo leitor das crónicas que por aqui se escrevem. Durante o Inverno dedico-me mais ao BTT mas com o aproximar do bom tempo e dos dias grandes vão-se multiplicando as voltas de estrada, só que na maioria das vezes limito-me ao registo fotográfico. Mas desta vez vou contribuir também aqui para as crónicas.

Os companheiros de pedalada foram mais ou menos os do costume: Tico, Eduardo e Óscar. A zona onde se ia desenrolar o percurso não era de todo desconhecida, após várias investidas de BTT ou de asfáltica ao longo dos anos. Mas havia motivos para fazer o percurso que me deixavam entusiasmado.

Como sempre saímos de casa (Delães, Vila Nova de Famalicão). Os primeiros kms até à Póvoa de Lanhoso, rolantes, serviram para aquecimento. Seguiu-se o primeiro ponto de interesse, a ligação a Vieira do Minho. Existem duas possibilidades mais conhecidas para fazer esta ligação: ou pela mais movimentada N103 ou pela agradável N205. Mas queria estradas diferentes e pitorescas e assim o percurso foi traçado pela encosta norte do Rio Ave, passando por Anissó. Conhecíamos algo da encosta, de incursões anteriores de BTT, mas a estrada era uma incógnita. Com o RideWithGPS a ameaçar-nos com acumulados a rondar os 5000m foi com muito cuidado que encarámos esta e todas as outras subidas do percurso. Mais tarde, no final do dia, viríamos a contabilizar afinal pouco mais de 3000m. Mas foi talvez devido a essa contenção que chegámos a casa relativamente frescos para os kms percorridos.
http://img228.imageshack.us/img228/2224/voltaacabreira201125252.jpg

Ao longo desta jornada tivemos algumas surpresas. Agradáveis, claro.
http://img94.imageshack.us/img94/2224/voltaacabreira201125252.jpg

Depois de Vieira do Minho aguardava-nos outra novidade que gerava expectativa... ou apreensão. Tratava-se da ascensão directa ao Parque da Serradela, na Serra da Cabreira. Julgo (corrijam-me se estiver enganado) que essa estrada, actualmente asfaltada, foi em tempos um dos estradões do rally de Portugal. Afinal também esta subida não revelou dificuldades exageradas. E a paisagem fantástica, como sempre.
http://img39.imageshack.us/img39/2224/voltaacabreira201125252.jpg

Atingido o topo tinha agora uma decisão que tinha deixado em aberto. Seguir para o Salto pelas aldeias ao longo da encosta (Espindo, Zebral...) ou ir lá abaixo à N103. Acabei por optar pela N103. Além de gostar da panorâmica dessa estrada, apetecia-me depois percorrer de roda fina a estrada que liga da albufeira da Venda Nova à Borralha (julgo que a mesma que o Fogueteiro percorreu há uns dias). Mas, já que íamos descer, o Óscar teve a excelente ideia de registar em vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=Wv9_yw_n2hM

Depois da albufeira, a saída à direita em direcção à Borralha surpreendeu os meus companheiros. Receosos de que a rampa se prolongasse mais que o desejado, começaram a lançar insultos ao guia.
http://img13.imageshack.us/img13/2224/voltaacabreira201125252.jpg

Paragens para algumas fotos sobre o vale e passagem na pobre mas muito bonita aldeia da Borralha. Optei pela estrada por Paredes e mais uma vez as rampas à saída da Borralha não ficaram isentas de comentários. Mas acho que o esforço compensou.
http://img232.imageshack.us/img232/2224/voltaacabreira201125252.jpg

No Salto não pudemos deixar de visitar a nossa velha amiga D. Maria onde retemperámos forças com algum alimento e bebida. Estávamos agora a meio caminho, altura de encetar o regresso

Apontámos a Cabeceiras mas logo no início da longa descida de 11km, virámos à direita para ascender à aldeia de Torrinheiras cuja travessia se fez através dum belo troço de "pavé".
http://img88.imageshack.us/img88/2224/voltaacabreira201125252.jpg

Aguardava-nos agora uma longa descida. O piso não era famoso, o que obrigou à passagem prévia pelo Deshaker de mais um vídeo do Óscar.

http://www.youtube.com/watch?v=mvJiyKbdOks

A descida durou, durou e durou. Ao chegarmos à N205 reparei que, por distracção, não tinha desenhado o percurso até Cabeceiras através desta mas sim através da EM524. Abençoado engano.
http://img807.imageshack.us/img807/2224/voltaacabreira201125252.jpg

Em Cabeceiras mais uma decisão: qual das estradas sair em direcção a Fafe? Pela N311 ou pela sua variante, a EM524-1. Esta última, com as suas rampas finais "assassinas", era um desafio que já há algum tempo eu e o Tico tínhamos curiosidade em enfrentar. E enfrentámos. E todos chegámos lá acima com mais uma no rol.

Daí até ao final não houve grande história. Várzea Cova, Moreira de Rei, Fafe e o tradicional comboio até Guimarães pela ciclovia. 180km bem passados na companhia dos amigos.

Mais fotos em: https://picasaweb.google.com/voodoo.bokor

duchene
19-06-2011, 21:56
Excelente volta Indy!

A zona da cabreira apesar de não ser extraordinariamente bem servida por travessias ao topo, é muito interessante de se fazer nas que existem.

Quando o Zé estava a fazer a rota por esses lados ainda o avisei das implacáveis rampas da Borralha, mas que para ele seriam feitas a descer.

Quanto ao RWG, ainda há pouco se discutiu a sua elevada margem de erro no calculo das altimetrias. Numa próxima, confirma a altimetria real com o BikeRouteToaster...

Espero ver mais crónicas tuas por aqui, aproveitando para dar crédito a uma delas, em especial à fotografia da estrada de Germil que, pela sua beleza, me atormentou largos meses até que ontem, finalmente, tive o enorme prazer e previlegio de cruzar.

Obrigado por partilhares bons pedaços de estrada deserta e fascinante!

Luís Tomás
19-06-2011, 22:07
Bela reportagem. :)

Josant
20-06-2011, 05:18
O "sábio" do pedal em grande!

Grande reportagem e grande volta ;)

Abraço

Figueiredo
20-06-2011, 08:39
Parabéns pela aventura e obrigado pela partilha das fotos e videos... durante os 17m31s de filme senti que estava realmente a pedalar convosco descida abaixo, muito bom mesmo!

Danielkezia
21-06-2011, 19:19
Olá Indy! É com grande agrado que vejo aqui um relato e espero que continues a fazer-lo e com prosa á altura! Eu digo que sou teu seguidor no btt, se calhar hoje em dia dou-me a certas coisas e enfrento outras com outros olhos devido a durante já alguns anos ser seguidor da tua pagina e com isso me inspirar e por consequência aos meus colegas. Agora que também ando nas fininhas, temos de marcar uma volta por aí, tenho falado com o Oscar mas ainda não calhou um encontro. Continua a fazer, pedalar e escrever que eu sigo atrás!!

indy
25-06-2011, 17:14
Este passeio serviu também como "shakedown" para algo que tínhamos agendado para ontem. Um projecto já com algum tempo, interessante para nós essencialmente por causa do desafio físico e mental de passar a barreira dos 300. Mesmo assim metemos-lhe alguma montanha e estradas interessantes no início, para não ficar muito monótono:

https://picasaweb.google.com/voodoo.bokor/P300Projecto300#


http://img833.imageshack.us/img833/3056/p300252520019.jpg

Danielkezia
25-06-2011, 19:12
Isto exije um relato!! cumprimentos e parabéns aos intervinientes na volta!!

Myrage
26-06-2011, 13:22
Pelos vistos ganhaste juizo e desta vez fizeste a descer a partir de Germil :)
Sem duvida que agora apetece roda fina.

MY

indy
27-06-2011, 10:49
Relato... talvez daqui por uns dias escreva algo lá na minha página. Mas não há muito que contar.

Quanto ao juízo, não sei. Não sou de deixar contas por acertar ;)

Pedro

indy
06-10-2011, 14:39
O meu amigo ET é um ideota. Não verifiquei se a palavra existe mas, para mim, significa alguém que está sempre a "parir" ideias (para voltas de bicicleta). A algumas até dou crédito.

Eu sou o idiota. Porque vou na conversa dele e tento concretiza-las. E depois empeno (o que até nem foi o caso de hoje).

Onde as nossas mentalidades chocam é na execução das ideias. Normalmente ele faz planos para o médio e longo prazo. A sua atribulada vida social não lhe deixa grande espaço livre.

Do outro lado da barricada estou eu, apreciador da frase que em tempos um ciclista conhecido proferiu para se definir "não gosto dos entusiasmados até à última da hora que depois desistem por pormenores". O pormenor será a execução. Demasiado impaciente para esperar, prefiro poucos projectos mas que possa realizar logo no dia seguinte.

Algumas das estradas que fiz já eram para ter sido testadas na recente incursão a S. Miguel do Monte mas o tremendo empeno do Óscar acabou por deitar por terra o projecto. Assim resolvi aproveitar o bom tempo e voltei à carga a solo (o ET estava de novo "out"), decidido a fazer esses e mais uns quantos caminhos novos.

Cedo verifiquei que algo não estava bem. Mal passei a ponte de Riba d'Ave e comecei a subir senti uma sensação de fraqueza. O maldito vírus que me importunara toda a semana passada a fazer ainda das suas. Vamos andando e vamos vendo.

Atravessei Guimarães e iniciei a subida para Mesão Frio. Havia um enorme pelotão de ciclistas de BTT para ultrapassar. Logo hoje, que me sinto assim. Mas lá passei, nas calmas. Desistir não estava no meu pensamento. Sou demasiado teimoso, além disso confiava que com o avançar do dia a situação poderia melhorar. Recordava que nunca tinha sido resgatado devido a empeno e que hoje não ia ser a primeira vez, que era tudo uma questão de manter o ritmo ajustado às forças que tinha.

Ciclovia, Fafe e em Estorãos início da subida para a Lagoa. Ainda era cedo mas desta vez resolvi parar numa pastelaria para reforçar o pequeno almoço.


http://img194.imageshack.us/img194/6729/img1504tf.jpg

Reiniciei a subida. Ia-se fazendo mas perto de Pedraído já não me sentia muito confortável em cima da bicicleta. Pior fiquei quando depois da Lagoa me apercebi que aquilo ainda subia um bocadito antes de começar a descer para o outro lado. Pudera, sempre fizera aquilo em sentido contrário e a gente nunca dá o merecido valor ao que desce. Como eu estava...

Passado o topo tinha agora o prazer de descer a maldita subida dos 10%. Até meio, porque depois havia que fazer o corte à direita para a aldeia de Aboim onde tive de enfrentar uma rampita valente a caminho da estrada que me havia de levar a Bastelo.

Estava agora em plena estrada de montanha, um risco de asfalto que corta aquele topo montanhoso onde existem também belos trilhos para a prática de BTT que já tivemos em tempos oportunidade de percorrer.


http://img94.imageshack.us/img94/5986/img1505d.jpg

Em Bastelo tive algumas dúvidas sobre o caminho a seguir mas afinal não havia que enganar, só havia estrada asfaltada em frente, eu é que estava com a memória confusa.

Rapidamente cheguei à N311, nos arredores de Várzea Cova, mas apenas durante alguns metros me mantive nesta via, tendo virado quase de imediato para a estrada de Passos.

Mais uma estrada sossegada, para não dizer deserta, que acompanhava a abrupta encosta do vale no fundo do qual corre a Ribeira da Várzea. Aliás, o vale é uma continuação daquele que já vínhamos a ladear desde Aboim, só que aí a ribeira chama-se da Abrunheira. E, mais adiante, haveria de transformar-se em Ribeira de Petimão.

Depois de Passos a navegação tornava-se mais complexa devido ao emaranhado de estradas e caminhos. O calor apertava e estava a consumir água (que mais parecia chá) a bom ritmo. Parei assim numa fonte, que me afiançaram oferecer água potável, bebi, comi e pedi informações a uma habitante. Fiquei a saber que a tal ponte que tinha verificado no dia anterior no GE que iria ter de atravessar se chamava Buraca da Moira. É um nome que desperta a imaginação dum gajo, principalmente a mim, que prefiro uma moura morena e bronzeada a uma celta ruiva e deslavada. Mas buracos, pontes e bicicletas nunca combinam bem e a senhora lá me foi avisando que depois aquilo subia muito.


http://img10.imageshack.us/img10/2076/img1506hy.jpg

Ok, era verdade. Era uma rampa acentuada mas não era longa. Nem 1000 metros devia ter. Rapidamente cheguei à N206 que subia ligeiramente a caminho da Gandarela de Basto. E pela primeira vez neste dia sentia algum à vontade ao pedalar. Seria do calor?

No cruzamento da Gandarela virei à esquerda, como se fosse para Mondim, e cerca de 1km mais abaixo, à direita. O André já em tempos por aqui a relatou. Trata-se duma estrada que já há algum tempo me despertava a curiosidade e que, numa subida relativamente suave, me havia de levar ao sopé do terrível troço final do Viso.

Ainda olhei para o seu início... naaaahhh. Num outro dia, de preferência com companhia :rolleyes: Já a próxima subida à direita me deixava tentado. Tratava-se duma estrada asfaltada, presumo, num passado recente e que, segundo o GE, ia dar directo à Capela do Viso. Logo, ainda devia ser uma subida mais aterradora. O padeiro confirmou que sim, que o trajecto era mais curto (logo, mais a pique) e muito dura nalguns ganchos. Hoje não tinha condições mas o desafio está lançado. Segui para o Carvalho.

Alguns longos kms com muito calor, uma ou outra subidita, a acompanhar mais um longo vale lá em baixo.

No Carvalho, como já conhecia a outra alternativa, optei por descer para Fervença. Estava de novo a precisar de comida e bebida e sabia que lá havia um multibanco. Pensei que fosse mais longe mas afinal Fervença ficava apenas poucos kms abaixo.

Depois de abastecido continuei pela estrada com destino a Felgueiras, tendo ido desembocar no entroncamento da zona industrial, na estrada Felgueiras-Fafe. Felgueiras era já abaixo e depois seria só descer até Vizela e regressar a casa. Mas outra estrada me deixava curioso. Virei para o sentido de Fafe!

Em Regadas consultei alguém numa esplanada em busca da informação que precisava:
-Sim, por ali dá, vai parar a Armil. Mas sobe um bocado ao princípio.
-É aquela rampa que se vê daqui?-perguntei.
-Sim. Sobe até ali ao topo do monte.
Não me pareceu muito. Era realmente inclinada mas devia ter apenas uns 500m. Era evidente que o sujeito não era ciclista.

E depois veio o melhor. Uma longa e rápida descida até Armil e ao vale do Vizela. Ainda bem que o percurso é neste sentido - pensei .

Agora era só acompanhar o Vizela até à localidade homónima, através da bucólica estrada, aqui e ali interrompida por umas secções de pavê agressivo.

O calor apertava agora com força e antes de chegar a Vizela ainda tive de re-hidratar mais uma vez.

A partir daí foi até casa sem parar. Moreira, Riba d'Ave... e estava feito. Devia era ter colocado protector solar. Estive à beira do escaldão.

Este percurso deu-me um prazer especial. Não que as serras tivessem a imponência de outras que por aí há, ou que tivesse de vencer grandes dificuldades, a não ser as impostas pelo meu organismo debilitado e que se reflectiram numa média fracota; só que fiquei encantado por adicionar à colecção mais um bom conjunto de estradas secundárias e pacatas que tornam mais próximos certos lugares que antes nos pareciam tão afastados entre eles.

http://connect.garmin.com/activity/119316289
http://img72.imageshack.us/img72/2757/valesdebastobypedroindy.jpg

duchene
06-10-2011, 14:55
Olha os treinos para o PIF*ANM2!

Estive por essas bandas a semana passada :) Mas subi a Penha e desci para a ciclovia, para apimentar a coisa. A zona de Várzea Cova é muito bonita e estou curioso agora com a rota por Lagoa. Tenho de ir investigar um dia destes.

Os arredores do Viso fazem sempre lembrar coisas más :D mas há lá mais para explorar do que parece à primeira vista. A estradinha municipal que seguiste também é catita e escapa ao rebuliço da 304. A partir de Felgueiras a malha de estradas aperta muito e prefiro não arriscar em aventuras. Além do atalho que me deste há uns tempos, ou venho pelo Relógio ou por Barrosas.

São zonas que sem terem o impacto espampanante das zonas nobres, ainda escondem aqui e ali pequenos oásis de prazer pedalante...

Danielkezia
06-10-2011, 15:08
Bem, finalmente e no fim do verão eis que surge o Sr Pedro Indy com um belo relato..... Excelente meu caro, ainda estou para perceber como somos vizinhos e só nos cruzamos na net....

Conheço grande parte do percurso de carro, só faltou incluir uma subida ao Sr dos Perdidos ali na estradinha para Vizela....Ainda lá irei vêr se não me perco!!

Parabéns!

indy
06-10-2011, 18:49
Hummmm... ou não me expliquei bem, ou vocês até perceberam e eu é que acho que não :)

Ao chegar à N207, no entroncamento da zona industrial de Friande, não virei para Felgueiras, virei para Fafe.
Uns kms à frente, já perto de Fafe, arranjei uma ligação para Armil e daí vim até Vizela sempre junto ao Rio Vizela. É uma estrada pacata e pouco conhecida (acho eu), uma ligação que por diversas vezes utilizo (e aconselho) entre Vizela e Fafe. Para apimentar tem dois troços, cada um com uns 200m, um em paralelo e o outro numa espécie de "calçada portuguesa" :)

duchene
07-10-2011, 00:17
Eu percebi perfeitamente. Tanto percebi que a semana passada passei exactamente no mesmo sítio! Ora espreita > Strava (http://app.strava.com/rides/1807505) :D

Aliás, também era para cortar em Sobradelo para evitar ir a Fafe, e tinha isso no GPS. Mas com a emoção da descida passei a alta velocidade pelo cruzamento. Consultei o mapa (bendito Edge 800!) e vi que dava para contornar o problema. Assim fiz.

Quando digo que venho pelo relógio, é precisamente por essa estrada até Vizela e depois subindo a serra.