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View Full Version : B'Twin Sport 4 // De volta à ribalta



duchene
12-03-2009, 17:39
Não foi preciso ponderar muito, a sério que não foi...

A história

Como forma de completar o treino de BTT e combatendo a logística que normalmente uma volta de BTT implica (aparelhar, chegar ao monte, curtir, voltar a casa e depois ter de fazer a lavagem e manutenção), ponderei a compra de uma bicicleta de estrada por forma a rentabilizar o pouco tempo que tenho disponível.

Como basicamente posso treinar das 7 da matina às 9.30 e só saio ás 19 (e picos!) ao final do dia, a estradista era a solução "ready-set-go!" que procurava.

Equipar (calção, camisola e capacete), água no bidão, bicicleta à porta e... estamos a treinar!

Queria portanto uma bicicleta de estrada e queria algo económico. Mas nas pesquisas que fui fazendo, cedo me apercebi que económico e bicicleta de estrada eram dois mundos que raras vezes se cruzavam.

O olho fugia para os mil, e muitos (muitos) euros. A carteira falava em 700, para poder estourar o resto na de BTT. Comecei por eliminar todas as marcas de renome. Sora ou Tiagra, com nada de atractivo nos acessórios e esgotando logo o orçamento, não me era nada apelativo.

Procurei usado. Nada... dava-se um chuto no OLX, Miau e similares e apareciam 20 bicicletas com quadros 46, 50 e 52. Agora, eu precisava de um 56/57. Portanto, nada feito.

Até que, calmamente a navegar pelo site da Decathlon, reparei que os modelos de topo das bicicletas de alumínio, tinham dado um tombo nos preços. Fiquei imediatamente de olho na Sport 4. Caíra de 899 para 619 euros e o equipamento já se aproximava do que pretendia. 10V com um grupo de qualidade, um quadro de um fabricante que já aprovara anteriormente (Tive uma montagem com um 8.2 de BTT que adorei!) e como sou um bocado imune à febre do "brand status", 10 minutos depois estava ao telefone a mandar vir uma para Portugal.

Sim, porque não havia disponíveis por cá. Na loja da Maia foi a primeira que venderam, es estavamos no final de produção deste modelo (O de 2009 mudará as cores, mantendo o equipamento). O processo de encomenda é pouco amigável. Exigiram um sinal, mesmo perante o meu desagrado com o facto. Ultrapassadas as formalidades, 4 dias depois, vinda de Espanha, estava cá a minha Sport 4.

Uma semana depois de me entregarem a minha já a loja tinha mais 4 in loco para venda. Pelo que me disseram a minha esteve exposta durante o dia até eu a ir levantar e fez virar muitas cabeças. Também assim pensei quando a vi ao vivo. Afinal de contas era muito mais interessante do que nas fotografias!

O fio dental

Resumidamente:
Quadro: Decathlon em alumínio com escora wishbone em carbono
Forqueta: Decathlon com lâminas em carbono e ponteiras e tubo em alumínio
Transmissão: Completa Shimano 105 com exepção da pedaleira, uma Truvativ Elita Triple
Travões: Decathlon
Pneus: Hutchinson Top Speed kevlar
Rodas: Mavic Aksium Race
Periféricos: Espigão Decathlon, Avanço Decathlon, Guiador ITM e selim Selle Royal Xsenium

Peso: Não tive oportunidade de pesar a bicicleta no formato original. Os reviews indicam 9.2kg/9.5kg para o meu tamanho, o 57.

Impressões:
Como estava à espera, a habituação não é imediata mas as diferenças de comportamento são imediatamente notórias. As relações mais pesadas favorecem o arranque e a manutenção da velocidade a rolar. No lado negativo estão as intermináveis subidas a penar em ritmo leeeeeeeento.

A gestão do ritmo é diferente e talvez por isso senti alguma dificuldade depois de 3 semanas parado no BTT, só fazendo estrada. Quando voltei ao monte, apliquei o mesmo ritmo da estrada e as pilhas acabaram antes do normal. Na segunda saída já melhorou e aos poucos vou sentido os benefícios do treino extra, nomeadamente no rigor da cadência e na gestão do esforço.

A máquina comporta-se à altura, digo eu. À falta de termo de comparação e empiricamente posso dizer que o conjunto funciona bastante bem e cumpre na íntegra as minhas expectativas iniciais.

As rodas aguentam os rigores dos meus 98 quilos sem grandes queixas, não sinto grande torsão lateral, nem mesmo quando faço uso das generosas plataformas dos pedais para esmagar e puxar os crenques com "violência" e faço aquela dança tipo sprinter tresloucado. O rolar é suave graças aos rolamentos e a barulho do cepo é normal. Ou diria, silencioso ao pé do Sun Ringlé de BTT!

Os travões já se sabe, não havendo grande atrito dos pneus com o asfalto, não há milagres. Em suma, cumprem a função até bloquear a roda, daí para a frente, é pura sorte!

A transmissão é precisa e muito suave. As relações são bastante próximas o que permite manter o andamento fluído. O conjunto é bastante silencioso, mesmo com a roldana da KCNC. A pedaleira truvativ peca pelos 3 pratos que não são tão estéticos como os dois pratos, mas a avozinha já deu uma ajuda nas subidas mais crónicas aqui da vizinhança, quando a força ainda era pouca. Agora nos últimos tempos não a tenho usado, preferindo sofrer um pouco mais, se a subida for curta.

A forqueta lida muito bem com as pequenas irregularidades avulsas. Naturalmente em paralelo "mal amanhado" a velocidade desce drasticamente e a bicicleta parece que se vai desmontar a qualquer momento.

Apesar da escora traseira ser em carbono não noto flexão, notando apenas uma ligeira torção lateral. Contudo e sem surpresa, ao passar para a FS de BTT entramos num mundo de conforto aparte!

Resumindo: Como caloiro que sou nestas andanças, está sempre tudo bem. Não há nenhum elemento que me incomode particularmente ou que note que possa ser radicalmente melhorado. Alguns ajustes aqui e ali e é só.

Upgrades:
Estando o conjunto bastante equilibrado e o quadro esteticamente interessante, faltava só dar um toque mais actual ao espigão, selim e aproveitar para renovar a frente. Com as alterações que introduzi, além do factor estético, pesou (ou melhor, deixou de pesar) a redução de peso. Passa dos 500g a redução conseguida com a troca de Selim, Espigão, avanço e guiador!

Em breve coloco a tabela dos ganhos reais e o peso final.

Foi então trocado:
Espigão de origem com 340g pelo KCNC Ti Pro Lite de 142g
Avanço de origem com 160g pelo Ritchey WCS com 110g
Guiador de origem com 360g pelo Ritchey WCS com 244g
Selim de origem com 362g pelo Selle Italia SLR XC Gel Flow com 180g
Aperto de espigão de origem com 30g pelo MSC de 9g
Anilhas de direcção de origem pelo cone de carbono da PRO com 16g
Corte da coluna de direcção à medida, menos 3 g.
Roldana de origem do 105 pela KCNC - peso igual: 8g
Grades de bidão em alumínio, mais 38g x 2

Total: 8868g

Coloquei também fita vermelha da SRAM. Fica um contraste interessante e o conforto pelo que já rolei, é bastante bom.

Em princípio a brincadeira ficará por aqui. Apenas conto por uns apertos bling, eventualmente os titanol da A2z em vermelho e, quiçá alguma parafusada também vermelha.

Para cortar radicalmente no peso poderia trocar de rodas, mas sinceramente não me estou a ver a gastar 250 ou 300 euros... Posso ainda trocar a pedaleira por uma compact e os travões pelos 105. Estaríamos a falar, estou convencido, de poucas dezenas de gramas. Portanto e como a questão funcional desses elementos para já está assegurada, não se pensa mais nisso.

Contas feitas, somando o preço em loja com os upgrades temos 810 euros de bicicleta. Se em conversa já me torceram o nariz à marca :mad:, ao vivo recebe alguns elogios pela montagem simpática e equilibrada.

À medida que vá havendo novidades comportamentais ou na composição da "isabelinha de lata", vou colocando por cá.

Fotos do antes:

http://img209.imageshack.us/img209/3538/acroad01wm5.jpg

http://img267.imageshack.us/img267/6509/acroad02px0.jpg

http://img165.imageshack.us/img165/7589/acroad03kk2.jpg

http://img187.imageshack.us/img187/6399/acroad04tg9.jpg

http://img517.imageshack.us/img517/2411/acroad05uv6.jpg

http://img208.imageshack.us/img208/7273/acroad06pv4.jpg

http://img525.imageshack.us/img525/6296/acroad07qi7.jpg

http://img205.imageshack.us/img205/927/acroad08in6.jpg

Amanhã vou tentar colocar fotos do depois!

Burning Dogma
12-03-2009, 20:32
Tenho uma Sport 3, o quadro é igual a essa mas tem montado Campagnolo. É uma máquina, especialmente para o que custou. Qualidade-preço é algo a que a Decathlon já nos habituou. Esta semana já leva mais de 300 kms:D

Depois mete fotos actuais, estou curioso para ver como está com os upgrades.

Bons kms com a máquina:)

duchene
12-03-2009, 22:05
Não tive tempo de preparar o estúdio, mas dá para ter uma idea. :rolleyes:

http://img14.imageshack.us/img14/5393/acmota01.jpg

Burning Dogma
13-03-2009, 16:58
Já parece outra:D

Assim de repente, parece que ficas bastante para a frente em cima da bike (pouco setback, avanço comprido) mas o importante é que andes confortável.

Uma sugestão, caso não uses o pratos de 30, tira-o fora e afina o desviador só para os outros 2. Dá uma estética completamente diferente à bike, acredita;)

duchene
14-03-2009, 15:08
Por acaso hoje fui fazer uma voltinha aqui pelos arredores, e no final dos 70km não notei grande desconforto além da habitual dor de pescoço, dos iniciados nestas coisas.

Com as mãos no topo do guiador, se olhar para baixo a "cabeça" do avanço tapa o cubo. Com as mãos nos drops, vejo meio cubo à frente do avanço.

Não me pareceu mal. As próximas voltas o dirão.

Hoje subi uma subidita mais brava e consegui não usar de todo a avozinha. Acho que vou tirar mesmo o prato pequeno, não sei é se os parafusos irão dar só com os 2 pratos montados.

Se não der, andam mais 60g a fazer peso mais uns tempos!

Burning Dogma
14-03-2009, 17:46
Dá, porque os parafusos que vês por fora só apertam a talega e o do meio. O pequeno é apertado por dentro do crank, ou seja, tens que tirar fora a pedaleira, sacar o prato e voltar a montar. Mas isso não custa nada, é só desapertares o crank do outro lado e puxar que isso sai tudo;)

duchene
14-03-2009, 18:19
Lol, tens toda a razão!

Estava a pensar no single speed! Em que se suprime o prato grande e depois os parafusos não apertam e têm de ser limados.

Sendo assim, acho que não passa de hoje, vou tentar encontrar informação de como colocar o desviador a funcionar só com duas velocidades à frente e o prato salta fora!

Obrigado!

duchene
15-03-2009, 12:01
E está feita a revisão dos detalhes.

O cepo das Aksium estava silencioso de mais. Desmontei para investigar e lá dentro as palhetas quase que boiavam em tanto óleo. Limpei tudo e lubrifiquei apenas com o óleo essencial. Resultado: agora já parece um canário :)

Removi também a avózinha. Sempre são menos 86g (preto e parafusos).

Fica melhor esteticamente, fica... que a malta também come com os olhos.

Fico portanto com um 39-50. O 50 é algo curto nas descidas mais emocionantes mas para já não incomoda muito, aproveito para descansar.

Haja é pernas para aguentar com o 39 nas subidas!

Próximos detalhes passam por... fazer km!

duchene
07-04-2009, 16:57
Pequeno update.

Arranjei a um preço muito simpático o SLR Gel Flow Team Edition em branco com a risca vermelha.

Apesar de tomar algum protagonismo e retirar a homogeneidade ao conjunto revelou-se uma exelente compra. É mais confortável do que o já muito confortável SLR XC Gel Flow. Estava aprovado ao final de 80km e continua a ser um sofá. Valeu o acréscimo de 40g!

Entretanto já fiz mais alguns km só com o prato 39 e, apesar de alguns momentos de aflição ali para os lados de Santo Tirso com umas paredes numa estrada secundária que me iam fazendo estourar as veias da testa, o resultado é positivo. Basicamente não senti falta da avozinha.

É claro que se trata de uma solução de recurso porque o veio será sempre de uma tripla e os pratos ficam algo para fora, mas enquanto não vier uma pedaleira nova (provavelmente uma noir :D) vai servindo muito bem!

Agora exige-se a troca da fita para balancear as cores e aproveito ponho também espiral branca.

Nota menos boa, embora seja relativamente normal, para as Aksium que, após 300km já precisam de uma boa esticadela nos raios. Vou dando pequenos ajustes na afinação cada vez que chego de uma volta, mas como parece que têm pouca tensão geral, com os meus sprints ajudados pelos generosos 100kg, os raios devem ter desapertado/folgado. Está na hora de ir fazer a revisão "grátes" na decathlon e por tudo mais justo.

E assim se vai fazendo a história da minha estradeira.

duchene
20-05-2009, 23:04
Minor update:

Nunca, mas nunca deixem de ser massacrantes nas conversas de café. :D

Consegui uma pedaleira dupla compacta à conta disso!


Ou seja, saiu a Truvativ Elita de 3 pratos (30-39-50) e entrou uma Truvativ.... Elita! Mas esta de 2 pratos (34-50) e cromada, ao invés da preta de origem.

Mudei também as pontas dos apertos, as que ficam opostas à alavanca e só nisso, foram 35 (sim, 35) gramas à vida. As da mavic eram mesmo chumbo!

Menos uns valentes gramas e a Kate Moss desceu para uns simpáticos 8.520g!

Acho que não dá para descer mais, pelo menos sem gastar dinheiro.

Está encomendado o kit de espiral branca para as mudanças e para os travões. Além da estética, no caso dos travões preciso de uma espiral menos comprimível que a de origem.

Não devo montar para já essa porque obriga a tirar a fita ao guiador, e esta ainda está muito boa. A propósito, recomendo vivamente a fita da SRAM. Ando sempre sem luvas (detesto luvas sem dedos!) e mesmo em tiradas longas, não sinto as mãos castigadas.

Tenho feito alguns km sem surpresas adicionais.

Para já o investimento está a corresponder ás expectativas.

Não há fotos pelo menos para já, mas assim que houver possibilidade faço umas para colocar aqui.

mexxx
23-05-2009, 16:49
bem, parece-me que ja estouras-te uma pipa de massa para teres uma bike de uns 8,500!!! pelas minhas contas ja gastaste 1000 euros com essa bike. pelo mesmo dinheiro, um pouco mais (1100 euros) já compravas uma decathelon 9.1 com um quadro muito bom, e com um peso de 8,400 de origem sem apgrades... ficavas mais bem servido.

duchene
23-05-2009, 23:27
Mexxx, não sejamos alarmistas!

Fizeste as contas um pouco por alto. Não que seja do interesse público, mas a bicicleta como está agora, com todos os extras e incluindo a compra da dita está nos 846 euros, somadas todas as facturas.

Falas na decathlon 9.1 que já não existe há 2 anos. Os modelos de 2008 e 2009 são designados por sport ou comp e numerados.

No caso da sport, a que a decathlon chama entrada de gama para estrada, a 4 que possuo é o modelo de topo.

Nas comp, o modelo de entrada custa 999 euros, vem com uma transmissão tiagra (mais fraca), rodas da decathlon (dou mais crédito ás mavic) e periféricos como guiador, espigão, avanço e selim bastante modestos (portanto bem mais fracos que a minha combinação).

O quadro poderá ser mais interessante, mas só isso não justifica a troca: primeiro são os 150 euros de diferença de preço para o custo da minha já com os upgrades, e mais, ficaria com os restantes componentes mais fracos. Trocando os periféricos que enumerei como mais fracos, facilmente dispararia para os 1250 euros (sem mexer sequer na transmissão!).

E mais, não acredito, porque já peguei nela na loja, que seja de todo tão leve como a minha. Mesmo que roubem 200g no quadro, o peso dos restantes periféricos ultrapassa essa diferença. E a prova está em quanto peso tirei na minha, só com esses detalhes.

Não vale a pena ver os restantes modelos já que a comp 1, o modelo a seguir na gama das comp, custa 1250 euros o que é o dobro do custo da minha sport 4 à saída da loja.

Portanto, resumindo e concluindo, estou bastante satisfeito com o conjunto que tenho agora e, não só dentro da decathlon como em muitas outras marcas que vou comparando, estou muito bem servido. Não me revejo portanto na tua opinião.

Boas pedaladas!

Interceptor
08-06-2009, 10:10
Bom trabalho, sim senhor.:)

Adorei ver o que fizeste á tua bike. Deves ser do tipo:
"Não tenho tudo o que amo mas amo tudo o que tenho."
Continuação de bom trabalho e força nos pedais.

P.S. Gostei da tua resposta ao comentário do Mexxx.
Este Mexxx nos post`s que faz é um bocado "cortes" mas
não é dos piores.:D

Até breve.

duchene
15-06-2009, 23:07
Aproveitando uma leva de encomendas online, mandei vir os últimos upgrades por uns tempos para a Sport 4.

Chegaram então as espirais brancas para travão e mudança para dar um toque diferente ao conjunto.

Devem chegar amanhã os travões 105 o que deixa apenas a pedaleira em falta para ter o grupo completo.

Era um upgrade que, em conjunto com a espiral, era mesmo necessário, já que a travagem deixava mesmo muito a desejar, especialmente para um tipo de 95kg como eu, mais até por culpa da espiral do que por culpa das maxilas.

Aproveitei um bom negócio e vendi o espigão KCNC. Comprei o Ritchey WCS e ficou a fazer "pandan" com o avanço e guiador.

Mais um "tombo" de 70 euros, o que coloca ainda a fasquia total abaixo dos 1000 euros.

Não há upgrades agora em vista, mas sim continuar a fazer quilómetros ao ritmo que o trabalho deixa. Como tenho a Canyon desmontada a ser revista e rectificada tenho dado mais trabalho à estradista.

-x-x-x-x-x-x-x
Mini análise à Truvativ Elita 50/34

Apesar de apreciar os andamentos mais leves, não sou 100% fã da pedaleira compacta. Especial e particularmente por causa da grande diferença de dentes entre os 2 pratos. Sinto que fico a pedalar no ar, sempre que reduzo do 50 para o 34. É claro que já ganhei o instinto de descer logo 2 ou 3 mudanças atrás, mas mesmo assim nota-se o solavanco e a mudança abrupta no ritmo.

-x-x-x-x-x-x-x-

Para breve prometo (e vou tentar cumprir!) fotos e, especialmente, a análise dos primeiros 1000km!

duchene
24-06-2009, 19:08
Hoje arranjei algum tempo para montar um mini estúdio (com o fundo por passar a ferro!) e fiz algumas fotos da Sport 4.

Está completa de upgrades para longos meses, tendo já dado provas que cumpre os requisitos e portanto, não há necessidade de mexer mais.

Lista de material da versão final:
B'Twin Sport 4 da Decathlon
Full Shimano 105, excepto pedaleira
Pedaleira: Tuvativ Elita Compact 34/50
Espigão, avanço e guiador: Ritchey WCS Wet Black
Selim: Selle Italia SLR XC Gel Flow
Rodas: Mavic Aksium Race
Pneus: Hutchinson Top Speed Kevlar
Aperto: de Selim KCNC
Tampa avanço: BBB carbon
Espaçadores: Pro com cone e anilha em carbono
Cabos e espirais: Jagwire
Fita: Sram Pit Stop Tape
Grades bidão: X-Stasy em Alumínio
Pedais: Look Keo Easy

http://img142.imageshack.us/img142/3047/acasfaltica01.jpg

http://img526.imageshack.us/img526/3163/acasfaltica02.jpg

http://img504.imageshack.us/img504/4898/acasfaltica03.jpg

http://img230.imageshack.us/img230/2007/acasfaltica04.jpg

http://img218.imageshack.us/img218/1516/acasfaltica05.jpg

http://img74.imageshack.us/img74/6588/acasfaltica06.jpg

http://img526.imageshack.us/img526/6445/acasfaltica08.jpg

http://img74.imageshack.us/img74/2525/acasfaltica09.jpg

http://img526.imageshack.us/img526/4989/acasfaltica10.jpg

http://img221.imageshack.us/img221/9597/acasfaltica12.jpg

http://img230.imageshack.us/img230/6893/acasfaltica07.jpg

http://img229.imageshack.us/img229/3251/acasfaltica11.jpg

http://img523.imageshack.us/img523/7199/acasfaltica13.jpg

http://img150.imageshack.us/img150/3835/acasfaltica14.jpg

http://img208.imageshack.us/img208/3446/acasfaltica15.jpg

http://img329.imageshack.us/img329/4779/acasfaltica16.jpg

Nuno Félix
25-06-2009, 08:43
Muito muito muito muito muito "nice"!!!!!!!! ;)

Figueiredo
25-06-2009, 09:10
Até podia ser uma pasteleira dessas de hipermercado (o que não é o caso, pelo contrário está bem fixe...), mas a produção fotográfica está um espectáculo:eek::eek::eek:

genioux
25-06-2009, 11:03
Espectacular a bike:eek:! Simples, com um aspecto muito clean...grande trabalho que fez!

Parabens (também pelo trabalho fotográfico;))!

Cumprimentos.

duchene
25-06-2009, 11:32
Obrigado pela simpáticos comentários.

Na verdade, como a sessão foi feita só com um flash montado na máquina, sem difusão e num estúdio com o pé direito baixo, a luz ficou algo dura e estourou um pouco os brancos, mas até acabou por ficar dramática. :D

Deu para fazer a apresentação das modificações que era o objectivo principal e para fazer arquivo de como se pode pegar numa proposta interessante e com algumas alterações bem pensadas, fazer uma bicicleta para muito e bons km's.

A montagem pretendeu-se sóbria, com apenas 3 cores, sendo que o preto e o branco dominam e o vermelho dá um toque de força ao conjunto.

Além do mais é sempre uma alternativa à onda de branco que tem varrido o mundo do ciclismo de estrada e de montanha. :)

Fica só a faltar a prometida análise, que já será praticamente dos 2000km.

Interceptor
25-06-2009, 18:05
Parabens pelo teu trabalho,
tanto fotográfico como estéctico. A bike que está FENOMENAL.:D

Até breve.

duchene
29-06-2009, 16:00
Finalmente, como o prometido é devido, fica aqui a minha análise à B'Twin Sport 4, agora com 2000km:

Quadro e forqueta B'Twin Sport 4
Este quadro já acompanha a gama de estrada da decathlon há um par de anos.
É um quadro em alumínio com escora superior em carbono unidireccional. Utiliza nas partes em alumínio os típicos tubos triangulares da marca.

Tem uma geometria mais relaxada com um sloping acentuado no tubo superior e escoras um pouco mais compridas, fazendo um triângulo traseiro mais aberto e baixo.

Gosto do facto da testa do quadro não ser aproveitada de um qualquer quadro de BTT como já vi em marcas conceituadas, especialmente porque encaixou na perfeição no cone de carbono da Pro.

A passagem ao carbono é feita com uma ligação Wishbone e o encaixe parece bem feito, embora a pintura seja feita após a inserção do carbono o que faz com que na zona de transição, a tinta do quadro apanhe 1 ou 2mm da zona de carbono. Notei isto em mais do que um modelo. É o preço a pagar pela produção em massa...

A ligação da escora superior à escora inferior é muito espartana, não formando o habitual lábio por cima da zona do eixo. É um pormenor que melhor trabalhado daria outra qualidade àquela zona do quadro, tal como acontece com o quadro de BTT que considero impecável nesse aspecto.

As escoras são moldadas embora esperasse ver a escora inferior a curvar à saída do eixo pedaleiro, mantendo-se mais próxima da roda até se dirigir para a zona do eixo traseiro. Ao invés sai do eixo pedaleiro a direito. É um pormenor mas que numa bicicleta de estrada fica sempre bem.

A pintura é muito boa, apenas com alguns pontos de sujidade presos no verniz. Parte do quadro é envernizado, a outra parte foi deixada baça.

A forqueta absorve as pequenas irregularidades com facilidade o que, aliado ao guiador, dá o conforto possível.

Rodas Mavic Aksium Race e Pneus Hutchinson Top Speed Kevlar
Depois de uns primeiros tempos atribulados, em que tinha que ajustar a tensão dos raios a cada saída, lá levei as rodas para afinar como deve de ser e o problema ficou resolvido.

Já apanharam algumas porradas valentes nas nossas fantásticas estradas, mas estão se a aguentar à barra.

Adicionalmente o cubo da frente vinha com os copos mal apertados, mas o ajuste foi rápido e a melhoria notória. Deixou de chocalhar no paralelo e em piso mais degradado.

Achava o cubo muito silencioso e por isso abri para limpar o óleo em exesso e dar um pouco mais de tensão às molas. Ficou audivelmente melhor!

Os apertos das rodas são bastante pesados, muito por culpa da ponta que enrosca no veio. Acabei por trocar os meus por uns A2Z com eixo em titânio e reduzi substancialmente o peso.

Os pneus, talvez ainda seja muito cedo para opinar (2000km), mas ficam algumas ideias.
Os meus não desenvolveram papos como foi relatado em alguns Hutchinson, mas também não sei se serão o mesmo modelo.

Têm uma tracção muito boa em piso seco, se bem que não ando propriamente a testar os limites de aderência. Só os senti hesitantes numa descida para os lados de Santo Tirso em que ia lançado e alguém se lembrou de lavar o passeio e a estrada numa zona de curvas. A traseira deslizou um pouco, vi a veleta perto, mas consegui corrigir a tempo.

Aparte deste episódio, nada a assinalar. O único furo que tive foi um snake bite porque andava nessa altura com a pressão baixa demais para o meu peso e ao passar numa zona de alcatrão enrugado (lindo serviço do empreiteiro) o impacto trilhou a câmara de ar atrás.

O piso ainda se apresenta em muito bom estado, sem furos e com as zonas texturadas como novas.

Espigão de selim, avanço e guiador Ritchey WCS Wet Black
Sou um paranóico dos conjuntos, especialmente no que toca a apertos rápidos e periféricos como o espigão, avanço e guiador.

Na de BTT é a panca da Thomson e KCNC, na estrada não havia de ser diferente.

No entanto não se justificava a austeridade da robustez Thomson e portanto havia de ser algo com um traço mais animado. Algo que digamos, que enchesse o olho...

A escolha recaiu pelo kit WCS da Ritchey, no seu infame revestimento Wet Black. Sei de antemão, e por experiência própria que é bastante susceptível à mínima pancada mas decidi arriscar, a bem do charme do conjunto.

O preto brilhante e as letras brancas acabam por se enquadrar no tema da bicicleta e ficaram impecáveis. Não acho que o anodizado comum pudesse competir nesse aspecto.

A resistência é a esperada nestes componentes. O espigão é medida 27,2mm o que acaba por provocar alguma flexão, desejável até já que, aliado à escora de carbono, actua como amortecedor.

A regulação da cabeça não é tão precisa e simples como o Thomson ou KCNC de 2 parafusos longitudinais, mas aguenta-se. Afinal de contas, após as primeiras 3 afinadelas, fica no ponto por longos meses/anos.

O avanço é bastante rígido, apesar de leve. O guiador flecte o suficiente para ser confortável em piso mais irregular, mas sólido em andamento normal. Sinceramente nos "sprints" que faço, não penso se o guiador está a molejar ou não, portanto não posso opinar nesse sentido. Apenas dizer que não tem um feeling gelatinoso no geral.*

Apesar de o guiador ser oversize, reduz para a medida convencional de forma suave mas rápida, pelo que na zona de apoio das mãos no topo do guiador já tem uma largura confortável.

Travões Shimano 105 (e os antigos B'Twin)
Não sendo imperativa a troca, pelo menos precisava de trocar os calços e os cabos/espirais dos travões de origem, para melhorar a sua eficácia. A 15/20 euros o par de pastilhas, ia gastar mais de metade do custo de uns travões 105 novos. Por isso optei por fazer um dos upgrades que mais tarde ou mais cedo iria fazer, por uma questão de uniformização e mandei vir da bike-components o par.

Curiosamente apesar da construção ser muito similar, a ponto de parecerem cópias, os travões de origem pesam menos 10g cada do que os Shimano. Apesar de tudo apresentam detalhes interessantes como os afinadores similares aos campagnolo e gravação da marca a laser.

Como os 105 foram montados em conjunto com a espiral, acredito que grande parte do benefício obtido na travagem foi devido à espiral e não às maxilas em si. Mas de qualquer forma ficam mais bonitas na bicicleta e resolvi também a questão dos calços e da uniformização do grupo.

Kit Espiral + Cabos Jagwire para mudança e travões
De todos os upgrades que efectuei, este foi provavelmente dos mais baratos (13.99€ por jogo) e sem dúvida o que provocou maior impacto positivo.

Se o kit de mudança inova sobretudo pelas ferragens e pelos cabos revestidos a teflon, o kit de travagem é qualquer coisa de abismalmente fantástico.

Utilizando o mesmo miolo da espiral de mudança, mas com um resistente reforço em malha de kevlar, esta espiral de travão, aliada aos cabos revestidos a kevlar, proporciona uma rigidez fabulosa, bem como um poder de travagem assinalável.

Aliás, face à espiral de origem este foi o aspecto que mais melhorou. Com a espiral antiga, especialmente ao travar atrás, notava-se claramente a espirar a flectir, perdendo-se curso precioso da manete a ponto de esta bater na fita, mesmo com as pastilhas afinadas ao máximo. O cabo de origem era também péssimo e não mantinha a tensão quando a manete estava a repouso, o que roubava logo 2 ou 3mm de curso só para esticar o cabo, antes de se sentir qualquer efeito na maxila de travão.

Agora a resposta é imediata, o bloqueio é firme e a segurança aumentou substancialmente, especialmente porque tenho mais poder de travagem à frente, onde realmente importa.

No campo das mudanças, a passagem é fluída e consistente, sem prisões. Optei por uma colocação de cabos tradicional com o chamado "Criss-Cross" em que os cabos saem das manetes e fazem uma curva mais suave, encaixando na ferragem do quadro, no lado oposto à manete de onde sairam. Ou seja, a espiral da mudança da frente encaixa no quadro do lado direito, e a espiral da mudança de trás encaixa no quadro do lado esquerdo da testa.

Isto faz com que as espirais façam uma curva muito mais suave, não havendo a contra curva que normalmente a espiral faz, para voltar ao mesmo lado de onde saiu.

Este sistema gasta um pouco mais de espiral, mas pessoalmente acho que fica mais bonito.

Os cabos recuperam a ordem original cruzando-se no tubo inferior. Este cruzamento implicaria que os cabos ficassem a roçar, no entanto colei os "donughts" de borracha numa posição em que impedem esse contacto.

Optei também por não utilizar afinadores à saída das manetes, mesmo não os tendo no quadro, por uma questão de arrumação no guiador. Exige um pouco mais de perícia na primeira afinação, especialmente à frente, mas depois não levanta problemas de maior.

duchene
29-06-2009, 16:05
Transmissão Shimano 105, corrente KMC e Pedaleira Truvativ Elita Compact 34/50
Originalmente a bicicleta equipava um conjunto de mudanças com pedaleira tripla. Na altura não percebi que impacto isto poderia ter, nomeadamente a nível dos desviadores e da cassete e como isso poderia complicar a passagem para um sistema de pedaleira dupla.

No entanto a transição da pedaleira tripla para a dupla compacta foi pacífica, ficando como reminiscências da era tripla, o desviador traseiro de caixa média e o desviador da frente com a caixa mais alongada. Aparte desses pormenores, a conversão correu muito bem.

O sistema de mudanças funciona como esperado para esta gama. As passagens são bastante suaves e não há recusa de fazer o câmbio, mesmo quando vou em pedalada pesada, aplicando bastante força nos crenques.

A corrente é um KMC e fora o facto de a protecção lubrificante de origem apesar de boa se agarrar à corrente como chiclete, comporta-se como o esperado. O elo rápido é uma mais valia.

Para lubrificar utilizo agora o composto cerâmico da Finish Line, que é muito mais fácil de remover mantendo no entanto toda a protecção durante a volta.

Já manifestei antes a minha estranheza para com o grande salto entre os 2 pratos da pedaleira compacta, mas com o tempo e com o ganhar de força nas pernas já só mudo mesmo em caso de necessidade e descendo ao mesmo tempo algumas mudanças atrás. Foi uma questão de hábito, mas penso já estar superado o desconforto inicial.

Os shifters funcionam como previsto, com cliques suaves que não são do agrado de todos. Eu pessoalmente até aprecio. Para brutalidade tenho os SRAM na montagem de BTT.

Selim Selle Italia SLR XC Gel Flow
Já o conhecendo da montagem de BTT, este selim alia o baixo peso a um conforto aceitável e elevada resistência. O revestimento em Lorica é do mais bonito que se faz em selins. Não se danifica com facilidade e mantém o bom aspecto indefinidamente.

Reconheço no entanto que é ligeiramente menos confortável que o SLR Gel Flow Team Edition que tive durante uns tempos, no entanto por uma questão estética prefiro o selim preto, e a escolha recaiu então no SLR XC.

Fita Sram Pit Stop Bar Tape Vermelha
Primeira impressão positiva logo na colocação. Apesar de não utilizar aquele que para mim é o melhor sistema de fixação, com silicone, a fita tem o bónus de ser longa o suficiente para enrolar cada drop, e ainda sobrar uns bons 25/30cm de fita em cada lado que já tem dado jeito em outras aplicações aqui e ali na oficina.

Coloca-se com facilidade, mesmo por um estreante como eu, tolerando reajustes de ocasião. No final fica com um tacto bastante confortável. Normalmente estico mais a fita no drop e menos em cima o que dá um conforto extra na posição mais relaxada e a garantia de um tacto sólido nas zonas mais emocionantes onde as mãos vão nos drops.

Como ando sempre sem luvas é importante que a fita seja confortável e nesse aspecto está perfeitamente aprovada.*Em seco e em molhado.

A cor aguenta-se bastante bem, mesmo com lavagens constantes e a sujidade, se removida atempadamente, não se faz notar nem fica incrustada.
Grades de bidão X-Stasy
Recusando-me aderir à loucura de gastar 40 euros no mínimo em 2 pedaços de carbono para segurar nos bidões de água, comprei 2 grades da x-stasy, em alumínio.

Com 38 gramas cada estão dentro de um peso aceitável para o custo, 4,5€ cada.*

Outra hipótese teria sido um conjunto da Specialized em plástico, mas experimentei e ficavam volumosas demais para a tubagem fina do quadro.

Prendem o bidão com segurança, no entanto é fácil de colocar e retirar. Não fazem barulho e foram económicas. Portanto, nota positiva.

Ciclocomputador Sigm 2006 MHR
Este modelo da sigma ficou célebre pelos seus inúmeros problemas de comunicação entre o sensor e a unidade central. O meu não foi excepção e só contava quando lhe apetecia, de forma aleatória. Assim, accionada a garantia e sendo substituído por um novo, optei por não o voltar a submeter aos rigores do BTT e assim transitou para a estradista.

Tem na medição da frequência cardíaca e altimetria dois dos pontos fortes. Falta-lhe infelizmente a medição da cadência para ser um verdadeiro vencedor na estrada.

Pessoalmente, e por preguiça acabo por não usar tanto a fita cardíaca nem vigiar os resultados, mas tentarei começar a faze-lo por ser uma importante fonte de dados nos treinos.

A cadência seria interessante mas o registo da altimetria acaba por ser um outro atractivo.

O ecrã generoso é muito bem vindo, com números bem legíveis e a informação espaçada o que facilita a rápida leitura.

No entanto continuo a preferir o sistema do VDO que apresenta mais informação numa coluna do lado esquerdo, sem ser necessário andar a circular entre os campos de dados.

Diga-se que não voltou a falhar e portanto tem sido uma escolha acertada para registar os dados das voltas.

duchene
29-06-2009, 16:07
Apreciação global do conjunto
Feitas que estão os upgrades que entendi necessários, e mantendo a fasquia abaixo dos 1000 euros, tenho neste momento uma bicicleta que corresponde totalmente ás minhas expectativas.

Tendo em conta que o objectivo era ter uma segunda bicicleta para poder fazer uns treinos na estrada e não fazer vida profissional disto, tinha barreiras claramente definidas no que poderia ter, com aquilo que queria gastar.

Se dividirmos parte da necessidade dos upgrades com o funcionalismo puro (travões, espirais, pedaleira, selim) e parte com a redução de peso e componente estética (avanço, guiador, espigão de selim e aperto), considero que foram mudanças racionais e de longo prazo.

Globalmente a bicicleta é bonita, sem ser um prodígio da beleza. Sendo o quadro a maior peça, tem um papel importante na imagem global. A decoração é de transição entre o folclórico dos modelos mais antigos e a sobriedade das novas tendências de design. Os novos modelos têm um grafismo mais simples e portanto mais apelativo. Mas todos os males fossem esses!

Na estrada comporta-se muito bem. A transmissão responde afirmativamente em todas as situações, mesmo com mudanças simultâneas à frente e atrás, mudanças em carga elevada ou mudanças súbitas e consecutivas.

A posição de condução é agradável, mesmo para um estreante, não provocando dores nem grande incómodo. O quadro com um sloping pronunciado, é mais confortável e menos agressivo do que quadros de geometria convencional, mas adapta-se perfeitamente aos meus objectivos de estradista de ocasião.

A escora traseira dá um conforto notório e tive oportunidade de a ver trabalhar numa longa descida de alcatrão, em recta mas com o piso algo ondulado. Existe mesmo uma flexão visível que, aliada à flexão do espigão, faz ganhar ali alguns centímetros de flexibilidade e consequente absorção de irregularidades. Não deixa de ser dura, mas com um pequeno toque de suavidade.

Aliás, será eventualmente o grande ponto negativo desta montagem, precisamente o facto de o quadro ser algo flexível o que poderá afastar alguns puristas e duros do pedal. No meu caso é um bónus ou pelo menos é a ideia que tenho para já.

A travagem agora é segura e eficaz, com as limitações normais de um pneu com baixa superfície de contacto com o solo. Sinto segurança nas travagens normais do percurso, e mesmo em travagens inesperadas a potência de travagem renovada à frente já mostrou ser fundamental para evitar o pára-choques deste ou daquele incauto condutor.

Os pneus poderão melhorar em piso molhado mas até agora em piso seco não comprometeram. Como tem a pressão limite a 8 bar, quando necessitarem de ser trocados, terei em conta uns que aguentem pelo menos até aos 9 ou 10 bar, para ajudar a suportar melhor o meu peso :)

As rodas não comprometem, e o peso é uma arma contra os empenos, cortesia das estradas bem conservadas. Desde que foram revistas, ficaram no ponto.

Em suma (e este é o meu indicador de utilizador satisfeito), deixei de pensar neste ou naquele upgrade, e de fazer pesquisas nas lojas online. Estou contente com o que comprei e aprumei, e portanto agora é uma questão de fazer quilómetros e rentabilizar o investimento.

As melhorias já se fizeram notar a nível físico, o que só coroa a nota positiva global que atribuo à minha B'Twin Sport 4.

Voltarei à análise assim que se justificar. Boas pedaladas!

Tremoço
29-06-2009, 18:44
Muitos parabens pela analise, e tens ai uma bela maquina....

Já agora onde compras-te os cabos???

duchene
29-06-2009, 18:56
Mandei vir da fizzbikes.

Já estava a contar não usar o cabo de travão, porque na foto aparecem as ferragens para manete de BTT no entanto o sistema é muito engenhoso. Em cada ponta do cabo vem cravado um terminal (um de BTT e um de estrada) e na altura de montar, cortas fora o que não interessar transformando-se num cabo específico.

No kit de mudanças é igual, tem 2 cabeças de cabo com tamanhos ligeiramente diferentes.

pratoni
29-06-2009, 23:18
está mesmo fixe! uma boa análise, sem dúvidas... ;)

Interceptor
01-07-2009, 20:46
Os meus parabéns pela análise detalhada.
Tive muito prazer em ler cada um dos parágrafos.

Continuação de bom trabalho e força nos pedais.

zé Marco
01-07-2009, 20:59
Realmente uma bela analise aos componentes e comportamento da bike. Parabéns pela máquina.
Já me apercebi que está mais que satisfeito com a máquina, o que outros chamariam de vulgar a ti deixa-te completamente realizado. E isso é o mais importante.

Mais uma vez os meus parabéns.

duchene
01-07-2009, 22:26
Obrigado pelas simpáticas palavras.

Entendo que quando é para fazer uma análise a coisa nossa, que conhecemos melhor do que ninguém, devemos ser o mais empenhados possível.

Só assim alguém que esteja de fora consegue perceber os prós e contras de cada um dos componentes, o que esteve por detrás de cada escolha e que implicações tudo isso tem no conjunto final.

Naturalmente, e apesar de o texto ser exaustivo (17.000 caracteres) há sempre alguma coisa que falha e que podia estar mais completa com informação paralela.

Estou neste momento a dar os últimos retoques à análise da canyon de monte e já conta com mais de 53.000 caracteres, no entanto é muito mais promenorizada do que esta e já leva um par de semanas de escrita.

É defeito de profissão acho. Quando faço, gosto de fazer bem feito. E ainda bem que a comunidade valoriza. :)


Boas pedaladas!

zé Marco
01-07-2009, 22:46
Quando pretender fazer analise a minha maquina entro em contacto contigo!!:D:D

duchene
21-08-2009, 22:01
Um pequeno grande update, infelizmente forçado.

Estes dias ao inspeccionar os pneus, dei com um corte de cerca de 8mm no pneu traseiro que, além de ter apanhado a borracha, ainda cortou uma ou duas fibras do miolo.

Naturalmente perdi de imediato a confiança naquele pneu. Ainda consegui rolar 60km aki no "circuito" mesmo ao lado de casa, mas estava decidido a não arriscar em percursos mais longos.

Como este fim-de-semana queria andar, vá de encontrar assim de emergência um par de pneus. Sim um par porque aqui o menino é cheio de manias e não ia aguentar ver um pneu de cada nação.

Com bastantes reviews positivos, o continental GP4000s era um sério candidato a substituir os Hutchinson Top Speed Kevlar, mas revelou-se esgotado na Regiabike, e em mais meia dúzia de lojas para onde liguei.

Perfilavam-se vários pneus que estudei, entre o Ultremo R o Pro 3 Race e o Vittoria Diamante. Só que, estes são pneus já na categoria de corrida, e como tal com carcassas relativamente frágeis, apesar de leves e com excelente aderência.

Fiquei de olho nos Pro 3 Race, mas com um ligeiro pé atrás devido aos relatos de fragilidade aos cortes. Os ultremo ainda acenaram, mas o recall e os flancos frágeis eliminaram-nos da lista.

Ia mesmo para comprar os Race 3 quando dei de caras com os Michelin Krilion Carbon. Ora as opiniões neste caso eram extremamente consensuais: Um pneu muito bom para treino, especialmente resistente e duradoiro, sem comprometer muito no rolar. Convenceu-me!

A 32 euros a unidade, acabei por trazer a versão preta e vermelha para manter o toque de vermelho na montada.

São mais justos a montar, tendo de me socorrer do desmonta para encaixar os últimos 10%. Para ajustar perfeitamente passei água com sabão nas laterais e com uma única enchidela a 8.2psi, ficaram perfeitamente colocados.

Agora é retirar a generosa camada de goma que os reveste e estão prontos para o teste de estrada amanhã.

A ver vamos como se comportam.
Depois dou novidades!

Burning Dogma
21-08-2009, 23:04
Não sei como são os Krylium, mas em comprei um par de Pro Race 3 e são um espectáculo. Leves, aderentes, resistentes, etc. Talvez os Pro Race 3 que tive antes fossem ligeiramente mais resistentes a furos, mas é capaz de ser só impressão minha.

De qualquer forma, é certamente um upgrade em relação aos Hutchinson que tinhas;)

duchene
22-08-2009, 11:47
Os Krilion fizeram-se à estrada!

Os primeiros 80Km não chegaram para tirar aquelas farripas de borracha que ficam no centro da faixa de contacto com o alcatrão, resultantes do molde do pneu.

São robustos, rolam com mais pressão, logo melhor, e como são uns mm mais baixos que os hutchinson, acabam por ser menos moles, mas nem por isso menos confortáveis.

A análise visual no final não detectou nada cravado na borracha nem cortes, apesar das más estradas de santo tirso, penafiel e arredores.

E estrearam-se logo numa subida de segunda categoria da volta a Portugal, na Senhora da Assunção!

Vamos ver como se portam ao longo do tempo, para já, nota positiva!

RaTaMaCue
24-08-2009, 10:03
Boa análise (muito bem escrito e com óptimas fotografias) e bons upgrades.

Parabéns! A bicla ficou altamente.

duchene
27-11-2009, 10:14
Apesar desta ser uma altura péssima para investir na estradista, já que com a chuva praticamente não tem tido uso, não pude deixar de aproveitar uma promoção da fizzbikes e de dar uma prenda à B'twin pelos seus 3500kms.

Vem então a caminho uma redução de peso na casa dos 230 a 250g que, em conjunto com as rodas que virão algures na primavera, serão os últimos upgrades de nota nesta montagem.

Conto ficar com uma montagem sub 8Kg, que é mais do que suficiente para os meus objectivos quanto à estradista.

Ainda estive tentado a fazer um super upgrade com a compra de um quadro Cube novo, em carbono, sub 500euros, mas não consegui justificar de facto o investimento. Fica para daqui a uns anos...

Segunda-feira já deve chegar a encomenda, e na altura revelo o que é, embora não seja difícil de adivinhar.

Quanto ao material que rola por agora, daqui a uns dias faço um update à minha análise, com as impressões que fui recolhendo ao longo destes últimos 1500km.

tunes
27-11-2009, 11:58
Ja agora, se fosse possivel podia dizer oinde arranjava o tal quadro da cube!?
Abraço

duchene
02-12-2009, 15:23
Já chegou o novo upgrade para a bicicleta do supermercado francês de desporto.

Como tão cedo não o devo montar, para coçar o pedaleiro actual e a corrente nos rolos, enquanto vai chovendo, fica a foto para introduzir o sujeito.

http://i47.tinypic.com/2073x1y.jpg

KCNC RD1 - Ktype - 175mm - 740g completo, pesado por mim

Já sei que não é o mais rígido nem tem o toque hi-tech do carbono, mas como o preço foi interessante, houve que aproveitar. Poucas horas depois de encomendar já estava de novo ao preço normal.

O truvativ elita pesa 983g em 3 pratos mas sem a avózinha e parafusos. Assumindo que o duplo pese um pouco menos este é, ainda assim, um ganho de peso interessante.

Assim que o coloque no sítio e faça uns quilómetros, venho opinar e trago comigo novas fotos.

pedrofeijo
02-12-2009, 22:34
Ja agora, se fosse possivel podia dizer oinde arranjava o tal quadro da cube!?
Abraço
Vai à Fizzbikes
Já agora ,essa bike está bem porreira.

duchene
19-01-2010, 00:34
Contas feitas à vida, felizmente o ano de 2009 correu bem, o que permite fazer um par de upgrades que estavam pensados mais ainda sem data marcada.

E o primeiro já está consumado!

Depois de batalhar com dezenas de opiniões, muitas horas de pesquisa e um orçamento que apesar de ter margem de progressão, não quis esticar, eis que acabo de encomendar o novo par de rodas que irá equipar a minha estradista nos próximos tempos.

Foi uma guerra a 4, com várias hipóteses em cima da mesa, mas que acabou por ser decidido ao sprint e com recurso a photofinish!

Como peso normalmente de 87 a 90Kg, estava bastante condicionado no quanto podia cortar ao peso, em favor da fiabilidade das rodas. Facilmente se conseguiria uma montagem de 1300g em clincher, com uma esticadela no orçamento de 300 ou 350 euros. No entanto, corria o risco de andar com umas rodas que pareciam uma meada de esparguete cozido, para não falar no risco acrescido de quebra de raios ou de constantes empenos de roda.

Teriam portanto de ser umas rodas robustas, dentro da casa 1450-1600g, para justificar a redução de peso face ás Aksium Race 2008 e de preferência não ultrapassando os 450 euros de orçamento.

Um outro aspecto merecia análise e ponderação. Olhando para o meu primeiro ano nas andanças de roda fina, e analisando dezenas de tracks GPS que por aqui tenho, facilmente cheguei à conclusão que as subidas dominam nos sítios por onde rolo. E portanto, apesar de interessantes esteticamente, e de lhes reconhecer o devido efeito nas secções planas e nas descidas, não ia equacionar, certamente com umas rodas de perfil alto nesta altura do campeonato. Prefiro capitalizar o custo e o peso que teriam a mais, noutros upgrades que entendo mais pertinentes.

Eram então os concorrentes: Mavic Ksyrium Elite, Dt Swiss RR1450 Mon Chasseral, Shimano WH-RS80 e uma montagem custom.

Pesados os prós e contras tínhamos, ainda, um empate técnico:

http://i47.tinypic.com/set2qf.jpg
Mavic Ksyrium Elite (382€)
(+) atraentes, dentro do peso alvo
(-) relatos de raios partidos com utilizadores mais pesados, preço dos raios específicos, mais vistas que o video caseiro da pamela anderson

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http://i49.tinypic.com/2iabv9f.jpg
Dt Swiss RR1450 Mon Chasseral (450€)
(+) peso interessante, qualidade cubos dt swiss, aspecto global
(-) limite de peso de 90Kg, relatos de autocolantes descolados e olhais do aro frágeis

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http://i45.tinypic.com/2mopliq.jpg
Shimano WH-RS80 (365€)
(+) exclusividade (relativa), qualidade dos cubos shimano, mesmo aro das rodas Dura Ace, opiniões bastante positivas
(-) raios cromados e específicos

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http://i47.tinypic.com/kd9085.jpg
Montagem custom
(+) liberdade de escolha dos componentes, peso baixo
(-) preço mais elevado, dificuldade na escolha do fornecedor com tudo em stock

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Tive então de começar a ser picuínhas e cortar opções.
Com muita pena, as RR1450 foram as primeiras a cair. Apesar de poderem aguentar à barra, o facto de serem de olhal simples, tornam os aros mais vulneráveis ás nossas miseráveis estradas e, a juntar ao meu peso próximo do limite anunciado, poderia tornar-se numa dor de cabeça permanente com afinações.

A seguir caíram as Ksyrium. Apesar de serem extremamente populares, não fiquei com boas impressões dos relatos de ciclistas mais pesados. Bastantes queixas de raios partidos e, aqui e ali, um ou outro cepo que ganhou folga em demasia. Como contra final, precisamente o facto de ser um set já bastante visto, e por isso procurava algo mais alternativo e diferente.

Finalmente caíram as rodas custom. Apesar de se conseguir montagens com componentes muito interessantes, o preço disparava para perto dos 700 euros e nem todas as lojas online tinham exactamente os 3 componentes que eu pretendia para fazer uma montagem à medida. Esta teria sido eventualmente uma opção a considerar, não fosse ter de gastar praticamente o dobro da minha escolha acertada, para reduzir 200g. Podia ficar com umas rodas na casa dos 1340g, arriscando no entanto a potencial fragilidade que isso poderia acarretar. Decidi não comprometer.

E, tínhamos um vencedor!

Bem pesadas na balança, com os seus 1520g (sem fitas e apertos) comprovados, as Shimano RS80 afirmaram-se como as vencedoras de um lugar no meu setup de estrada.

Juntar os aros topo de gama da shimano nesta medida, raios aero decentes, um cubo de esferas com provas dadas e um preço verdadeiramente competitivo, foi a receita que me convenceu. E não só a mim. A cannondale americana, por exemplo, monta-as de origem na sua Caad9 1, a topo de gama de alumínio da marca.

Tenho lido os maiores elogios a estas rodas e acredito que foi de facto a melhor escolha nesta batalha a 4.

Estas rodas estão inseridas na família ultegra e apesar de serem 150g mais pesadas que o topo de gama Dura Ace, têm o mesmo aro, o que lhes garante grande parte das propriedades de aceleração das suas irmãs mais caras. O aro aliás é um interessante exercício já visto noutros componentes e que foi agora replicado nesta forma.

A shimano revestiu então um aro de alumínio mais fino que o normal, com uma "capa" em carbono unidireccional, por forma a aumentar a rigidez e reduzir o peso.

Os cubos são de esferas, que não tenho problemas em manter e revisionar, sendo que este sistema da Shimano funciona basicamente como um rolamento, mas com as partes que o constituem, amovíveis.

O único grande senão que lhes encontro é o facto de os raios não serem pretos, o que me faria mais contente. No entanto, estou disposto a sacrificar esse pormenor em favor do conjunto.

Estarei com estas rodas, tão preso a nível de alterações como num outro conjunto de fábrica com componentes específicos no entanto, por experiência própria o fornecimento de peças de reposição da shimano é francamente rápido e as garantias funcionam sem grandes problemas. Além do mais, não tenciono trocar de raios, aros ou cubos, enquanto tiver as rodas comigo, uma vez que não é esse o objecto, caso contrário teria feito o esforço para as rodas custom.

Foram encomendadas na Bike 24, portanto deverão chegar nos próximos dias, altura em que tentarei actualizar o tópico com algumas impressões mais concretas.

SLM
19-01-2010, 07:29
Penso ser a primeira vez que posto neste tópico, apesar de o ler desde o início com muito prazer. Análises detalhadas e escolhas ponderadas, que resultaram numa bela máquina.
Quanto ás rodas, lá para o fim do ano tambem será um upgrade que pretendo fazer (vida de estudante! há que ir juntando:D) e também como tu não queria gastar mais do que 400/450.Tenho lido muito de positivo sobre as Dura-ace, desconhecia estas Shimano WH-RS80, vamos ver como se comportam e se são, de facto, rodas para ter debaixo de olho.

PS: E o futuro deste projecto, há novidades sobre o quadro BMC?

Burning Dogma
19-01-2010, 11:22
Bem, essas Shimano são, de facto, lindas! E devem rolar que é uma maravilha.

Por curiosidade, não chegaste a ponderar umas custom mais "tradicionais", tipo cubos Dura Ace, aros Mavic Open Pro e uns raios Sapim, por exemplo?

duchene
19-01-2010, 16:33
@SLM
Estou á espera de acertar uns detalhes com a compra dos desviadores ultegra e vamos tentar avançar para o quadro no final da semana. :D

@BurningDogma
Pensar pensei, mas os olhos também mandam um bocadinho e uma montagem desse género era insípida demais para o tema geral da bicicleta.

Aliás de tão satisfeito que estou com os CX-Ray na montagem de BTT, seria certamente essa a escolha para as rodas de estrada, mas faltava ali um "je ne sais quoi" no resto dos componentes. :rolleyes:

paradawt
19-01-2010, 17:28
Duchene,

O que fizeste às rodas da mavic?

Cumps

duchene
19-01-2010, 17:40
Respondido por PM. :cool:

Burning Dogma
20-01-2010, 12:25
Eu percebo-te bem, eu cheguei a pensar numa montagem do género, mas realmente a estética não é nada favorável, parecem rodas do Paris-Roubaix:D Acabei por ir para umas Fulcrum, bem mais bonitas, embora se tiver o azar de partir raios ou assim vai ser muito pior.

fuel100
20-01-2010, 13:00
Eu percebo-te bem, eu cheguei a pensar numa montagem do género, mas realmente a estética não é nada favorável, parecem rodas do Paris-Roubaix:D Acabei por ir para umas Fulcrum, bem mais bonitas, embora se tiver o azar de partir raios ou assim vai ser muito pior.

Explica isso melhor: Vai ser muito pior porquê?
É que encomendei uma bicla com as Fulcrum Racing 7.

duchene
20-01-2010, 14:05
O que o Burning Dogma fala é do problema em potencial que existe com tudo o que é rodas com sistemas de cubos, aros e raios proprietários de uma determinada marca.

Se fizeres uma montagem personalizada com cubos aros e raios disponíveis em separado, caso partas um raio podes substituir esse raio de forma simples e económica.

Nas rodas de série de marcas como as Mavic, Shimano ou Fulcrum, são usados cubos, raios e aros específicos. Usando o mesmo exemplo, caso partas um raio de uma dessas rodas, só poderás substitui-lo por um igual, que terás de adquirir à marca.

Ora além do custo bastante superior (raios de rodas de topo custam acima de 5 euros cada) e ainda tens o problema de a disponibilidade ser muito menor, já que nem todas as lojas os têm em stock.

Portanto não é um problema das Fulcrum 7 em si mas no global de todas rodas de série das marcas.

Burning Dogma
20-01-2010, 19:38
Nem mais, é o preço e muitas vezes a disponibilidade dessas mesmas peças. E por exemplo, se mandarem um pancadão num aro, o mais certo será que um aro novo saia mais caro do que comprar uma roda toda nova, coisa que não sucede nas montagens custom.

duchene
25-01-2010, 16:04
E eis que chegaram as rodas da Shimano!

Se tinha algum receio quanto à estética, por causa dos raios não serem pretos, esse receio está completamente posto de parte. As rodas são realmente muito bonitas. Mais uma vez as fotografias não fazem jus ao feeling real.

O lettring arrojado e a combinação do preto com branco e vermelho, está particularmente bem conseguida dando o toque de modernidade que é característico das rodas de fábrica. O efeito óptico dos raios pálidos é interessantíssimo já que a leveza dos raios e cubos contrasta com a solidez estética do aro. Resultado: os aros parecem não estar fisicamente ligados ao centro da roda, o que dá um aspecto futurístico à coisa. Muito porreiro!

A nível de acabamentos são irrepreensíveis, mesmo! O carbono termina com uma costura sem falhas, praticamente como se fosse a continuação da pista de travagem de alumínio. As cabeças dos raios apresentam-se sem marcas e não há falhas na uniformidade do revestimento de carbono ou nos grafismos. Ao contrário das Mavic, o lettring das Shimano é serigrafado o que contribui para a qualidade global.

O carbono do aro é bastante discreto, fruto de ser de fibras unidireccionais, mas quando exposto ao sol faz as nuances metalizadas características, num efeito subliminar mas bastante apelativo.

O rolar não pode ser quantificado e comparado facilmente em relação ao rolar das mavic, que são de rolamentos. No entanto, na mão, são suaves como esperado neste tipo de rodas. Mais tarde irei levar a efeito um pequeno teste empírico de resistência á rolagem, só pela experimentação em si.

O cepo é tão silencioso que arrisco dizer que será facilmente abafado pela deslocação do ar, nas descidas. Pessoalmente prefiro cubos barulhentos, mas já me estou a habituar ao silêncio relativo dos Dt Swiss 240s de montanha e portanto, irei habituar-me também a estes.

A nível de peso, uma agradável surpresa. 1574g, sem apertos mas já com fita, o que dará, grosso modo, os 1520g anunciados para a roda nua. Ainda não pesei as minhas Aksium, mas estaremos a olhar para 350g de redução, possivelmente mais já que as minhas são o modelo 2008, ainda não revisto pela Mavic a nível de peso. Para um atleta de 90 quilos, e com a condicionante de querer versão clincher, parece-me que estará conseguida uma boa relação qualidade/preço/peso/rigidez, relação a ser comprovada, naturalmente, com os testes de estrada.

Os apertos pesam 122g, apenas mais 12g que uns A2Z de Cromo e mais 40g que os equivalentes em titânio.

Surpresa agradável foi também a inclusão de duas chaves de raios e de um íman de conta quilómetros específico par aos raios shimano. É minúsculo, mas a ser eficaz, é uma solução belíssima, com 1/3 do tamanho de um íman convencional de conta km. Além claro da habitual papelada de instalação e manutenção das rodas.

Está então feita a apresentação, falta fazer a sessão fotográfica, e trocar pneus e cassete das Mavic para estas. Eventualmente no próximo fim-de-semana irão fazer o baptismo na estrada, e certamente serão a primeira peça do meu novo projecto, dando assim corpo à minha visão industrial da estética de uma bicicleta de estrada.

Vou dando novidades...

NO FLATS
25-01-2010, 20:23
Caso andes muito à chuva o mais certo é as rodas da shimano te darem muitos mais problemas que as AKSIUM da mavic. Mas isto é apenas a minha opinião

duchene
25-01-2010, 21:25
Por acaso nunca rolei à chuva com a asfáltica e dado que tenho a bicicleta de BTT como opção para os dias mais intempestivos, não conto ter de andar à chuva na estrada, a não ser por puro imprevisto.

Naturalmente ao equacionar a compra, ponderei a manutenção preventiva adicional que os cubos de esferas têm, e portanto nada que não esteja já à espera.

_______________________

Aproveito para um pequeno update na questão dos pesos.

Roda da frente Aksium Race, sem aperto, com fita, pneu e câmara de ar = 1260g
Roda da frente Shimano RS80, sem aperto, com fita, pneu e câmara de ar = 974g

Emagrecimento = 286g!

Só na roda da frente perdi 80% do total de peso que esperava reduzir nas duas rodas. O que deixa boas perspectivas para a redução de peso no par.

Fotos daqui a umas horas...

duchene
26-01-2010, 01:11
E cá temos as fotos! Como senti alguma dificuldade na altura que andava a ponderar vários modelos, por não existirem fotografias detalhadas das rodas, fiz uma pequena sessão de pormenor, para captar todos os pequenos detalhes que fazem deste um conjunto muito interessante.

http://img198.imageshack.us/img198/7419/acrs8000.jpg
Shimano RS80

http://img694.imageshack.us/img694/4323/acrs8025.jpg
Pormenor das cabeças dos raios e da modelação do carbono nessa zona.

http://img25.imageshack.us/img25/327/acrs8024.jpg
Um aviso à moda americana, não vá alguém processar a Shimano porque o aro se gastou...

http://img121.imageshack.us/img121/3020/acrs8023.jpg
A fluidez do carbono unidireccional

http://img121.imageshack.us/img121/1904/acrs8022.jpg
Para que não hajam dúvidas do que reveste o aro!

http://img15.imageshack.us/img15/3903/acrs8021.jpg
Shimano RS80

http://img697.imageshack.us/img697/8550/acrs8020.jpg
Shimano RS80

http://img709.imageshack.us/img709/7452/acrs8019.jpg
Enraiamento radial da roda da frente.

http://img246.imageshack.us/img246/2366/acrs8018.jpg
Perfil da roda traseira. O aro assimétrico permite, segundo a Shimano, distribuir melhor a tensão dos raios e a tracção, também ela assimétrica, como se pode ver na imagem

http://img709.imageshack.us/img709/6113/acrs8017.jpg
Já na roda dianteira, tudo é feito em perfeito reflexo.

http://img25.imageshack.us/img25/2286/acrs8016.jpg
Cubo dianteiro

http://img121.imageshack.us/img121/3272/acrs8015.jpg
Parede lateral do aro.

http://img22.imageshack.us/img22/6943/acrs8014.jpg
Alguns dos autocolantes do aro, que são no entanto, perfeitamente descartáveis.

http://img63.imageshack.us/img63/4988/acrs8013.jpg
Aqui pode ver-se claramente a qualidade do remate entre o carbono e a pista de travagem: perfeita! A título de comparação veja-se a espessura do autocolante...

http://img709.imageshack.us/img709/784/acrs8012.jpg
Espreitando pelo furo da válvula consegue-se distinguir com clareza os ingredientes desta sanduíche japonesa: 0.7mm de Alumínio em cima e 0,3mm de cabono logo abaixo.

http://img694.imageshack.us/img694/7614/acrs8011.jpg
As flanges do cubo são robustas e simétricas.

http://img43.imageshack.us/img43/9352/acrs8010.jpg
O logótipo e nome do modelo nos cubos são gravados a laser o que, no mínimo, lhes garante alta longevidade.

http://img171.imageshack.us/img171/1413/acrs8009.jpg
Ao contrário dos rasgos a todo o diâmetro do aro, que tendem a acumular montanhas de sujidade, o sistema da shimano para monitorizar a espessura do aro, é simples mas igualmente eficaz.

http://img694.imageshack.us/img694/7838/acrs8008.jpg
A particularidade do aro traseiro ser assimétrico, aqui simplificada no logótipo.

http://img30.imageshack.us/img30/3926/acrs8002.jpg
E aqui, a assimetria na prática.

http://img121.imageshack.us/img121/7526/acrs8007.jpg
As cabeças dos raios vieram imaculadas e sem marcas de ferramentas, como se tivessem sido apertadas apenas com a mão.

http://img96.imageshack.us/img96/586/acrs8006.jpg
O minúsculo íman para velocímetro é tão forte como engenhoso

http://img684.imageshack.us/img684/8591/acrs8004.jpg
Colocado no sítio o íman quase se confunde com o próprio raio.

http://img188.imageshack.us/img188/246/acrs8003.jpg
Os raios estão revestidos de uma espécie de anodizado, provavelmente para aumento da longevidade.

http://img188.imageshack.us/img188/5040/acrs8005.jpg
Manuais, chaves de raios e apertos rápidos

SLM
26-01-2010, 07:16
Bem, as rodas são lindas e com pormenores fantásticos. Quanto ás fotos...nada a dizer!
Fiquei, contudo, curioso... qual a razão de ser dessa assimetria na roda de trás?

duchene
26-01-2010, 08:49
Essa assimetria do aro (apenas no traseiro) destina-se essencialmente a corrigir habitual diferença de tensão entre os raios do lado da cassete, e os raios do lado oposto. Normalmente, por uma questão de centragem e resistência, os raios do lado da cassete têm tensões mais elevadas, cerca do dobro da tensão aplicada no lado oposto.

Dois factores em jogo:
Um é a centragem da roda já que, como o ângulo dos raios face ao plano vertical da roda é menor do lado da cassete, é necessária uma tensão muito maior nesses raios por forma a manter o aro centrado.

Um exemplo muito simples existe no nosso corpo. Se estivermos de pé com as pernas fechadas, se nos derem um encontrão, temos de fincar muito bem a perna oposta, na tentativa de não cair. Isto porque ela está praticamente no mesmo plano vertical do nosso corpo. Mas se abrirmos as pernas, à semelhança do que acontece com os raios do lado oposto à cassete, a estabilidade é muito maior e portanto necessitamos de fazer menos força para nos equilibrarmos. Pode-se ver como funcionam esses ângulos, na fotografia que mostra a centragem da roda dianteira e traseira.

Ora esta disparidade de forças, causa diferentes pontos de stress num aro convencional. Ainda mais num aro de estrada, sujeito a forças mais agressivas devido à elevada pressão do pneu, baixa superfície de dispersão de impactos e necessidade de elevada rigidez com consequente tensão de raios mais elevada.

O outro factor que faz com que a tensão dos raios do lado da cassete tenha de ser maior é, naturalmente, a maior força de torção que é induzida nesta zona, por causa da pedalada. Os raios, em especial desse lado, têm de contrariar constantemente a tentativa do cubo rodar sobre si a cada pedalada, transferindo essa rotação ao aro e fazendo girar a roda.

Isto leva-nos ao outro benefício principal dos aros assimétricos: Uma maior tensão nos raios do lado oposto à cassete (tradicionalmente mais frouxos) eleva a rigidez da roda, quer lateral quer torsional, o que torna a roda menos flexível e a pedalada mais eficaz. Com este sistema, e no caso da Shimano, o aumento de tensão é na ordem dos 25%. Nestas rodas os raios do lado oposto à cassete têm cerca de 85% da tensão total dos raios do lado da cassete. Um ganho bastante considerável!

Uma última vantagem é a de que em grade parte dos casos, os raios são do mesmo comprimento quer no lado da cassete quer no lado oposto, o que facilita a troca uma vez que apenas é necessária uma única medida de raios para toda a roda.

Penso que do que tenho lido e retido, é estas são as grande vantagens deste tipo de aro.
Pelo menos no papel. Na prática, veremos em breve.

paradawt
26-01-2010, 09:10
Eu vou ser sincero...

Tu além de umas boas rodas, deves ter uma exclente máquina :D

Porque essas fotos macro, mostra bem o mais pequeno promenor. Fantástico!

Parabéns.

duchene
26-01-2010, 23:27
http://i47.tinypic.com/2zye6ao.jpg

Et voilà!

Trocados os pneus e a cassete, feitas todas as pesagens e colocadas as novas rodas ao sítio, temos 8,413g de b'Twin sport 4.

Falta o teste de estrada que será certamente em breve.

O resultado final foi uma redução de 366g e um incremento estético considerável em relação às anteriores Mavic Aksium Race.

Ao longo dos próximos meses haverá algumas novidades que aos poucos irei revelando.

Soltem as subidas!

Costabrasil
27-01-2010, 08:53
Esta bike está uma beleza.
Parabéns pelo bom gosto.

fuel100
27-01-2010, 09:51
A prova provada em como uma bicicleta aparentemente banal, de marca quase "proscrita" no meio, se pode transformar numa bela máquina com tudo no lugar....é a destruição do preconceito face às marcas "especializadas", qual "Gata Borralheira" do asfalto.

Parabéns pela montagem, pelas fotos (de profissional, por certo) pela máquina que as obteve, pelo "olho" nos pormenores escolhidos e pela prosa em bom "português" que é como nos devemos entender.

Esperamos ansiosamente os primeiros ecos da sua utilização em estrada, em particular, estou muito curioso em saber algo do comportamento de umas rodas com cubos de esferas, fartos que estamos dos rolamentos selados.
Mais um vez, parabéns.

fogueteiro
27-01-2010, 10:54
Não quero de forma alguma ser a ovelha ranhosa do "rebanho", mas gostaria de saber se não seria preferível comprar uma biclicleta já totalmente a gosto, e conforme a carteira tipo "pick and pay" andar com ela uns anitos, não gastar dinheiro em "upgrades" e depois de a usar bem então partir para outra? Este procedimento não encarece demasiado o preço da máquina? Para além deste factor existe outro, que para alguns não interesse mas para outros é importante, que se prende com variedade de marcas de material, bem como de gamas? Por vezes, e já aconteceu comigo, pensamos apenas no imediato e ficamos a perder. Quero dizer que se no final fizermos contas ficam mais caro os upgrades do que comprar a bike que temos após esses mesmos melhoramentos, e com frequência numa futura troca ficamos decepcionados com o dinheiro que nos dão, porque pensamos no dinheiro que investimos nela. É claro que existem variadíssimos factores que levam o ppl a fazerem assim, por isso não estou a criticar, somente a atiçar o diálogo.

Duchene, que fique bem claro que acho a tua bike muito bonita, e de boa qualidade, e dou-te os parabens e a muitos outros que mandam as marcas ditas conceituadas a um sitio que não digo. Somento questiono para que fique esclarecido. :D:D

Burning Dogma
27-01-2010, 12:08
É a velha questão:rolleyes: Quanto a mim, o correcto é começar por baixo e ir fazendo upgrades por uma questão muito simples. Se queremos uma bicicleta 100% a nosso gosto, temos que ser nós a escolher o material todo e isso só se consegue com upgrades. Uma bicicleta de fábrica vai sempre ter componentes que não são aqueles que nós querermos. Eu pelo menos falo por mim, porque nunca encontrei uma bicicleta 100% como eu queria.

E nem sempre sai mais caros, já fiz contas ao que gastei em upgrades e não me saiu mais caro do que comprar uma bicicleta equivalente.

duchene
27-01-2010, 12:51
@fogueteiro
A questão do upgrade ou compra imediata é bastante mais complexa do que aparenta e, por norma eu tenho uma opinião diferente da grande maioria das pessoas, no que concerne a fazer montagens de bicicletas.

A generalidade das pessoas começa com o melhor quadro possível e os componentes da treta, com a esperança de se ir melhorando esses componentes. Sempre com a desculpa de que com aquele quadro fantástico, na altura em que tivermos tudo Dura Ace ou XTR, a bicicleta vai ficar uma máquina do caraças.

Ora isso a mim mete-me confusão, porque eu não estou a usufruir na íntegra do tal quadro excepcional em liga 5643 com carbono de malha 23k, porque ando a resmungar com mudanças barulhentas, espigões pesados e material de gama baixa. Já para não falar no preço alto que paguei por um autocolante ou, menos mal, por qualidade de construção e de soluções técnicas.

E quando chegar à altura de ter tudo dura ace, ou espatifei o quadro, ou está cheio de marcas ou já não gosto da cor... E começa tudo outra vez.

Mais! Arrisco dizer que ninguém compra uma bicicleta de 2500 euros e fica quieto. Há sempre qualquer coisa que não está a gosto e portanto, vá de alterar. O que nos leva ao mesmo problema. Comprar uma bicicleta cara e começar logo com upgrades.

Como a parte financeira também conta (e muito), mal por mal, começo por baixo, com mais calma e ponderação.

Depois, muito sinceramente há muita pressão para se comprar a bicicleta X ou Y, e sinceramente faz-me um bocado de comichão as opiniões baseadas na marca seguidas de "e depois vais fazendo upgrades". Não faz sentido fazer um investimento avultado, já a pensar em upgrades.

Portanto neste caso em particular, a base foi uma bicicleta de 620 euros. Ora com 620 euros eu comprava.... assim de repente... nada!

Já o disse no início deste tópico. Não comprava rigorosamente nada de uma marca conceituada, com um quadro bom e muito menos com quadro e componentes bons. Era constantemente empurrado para Tiagra e Sora com a areia nos olhos de ter um quadro da marca X, Y ou Z.

A decathlon pulverizava a concorrência com um pack equilibrado, um quadro razoável, as mesmas rodas que equipam ainda hoje bicicletas de 1500 euros e um bom grupo de 10 velocidades. Aliava a isso um visual com potencial que me cativou mais do que algumas soluções mais conceituadas.

E julgam que paguei os 620 euros de uma vez? Claro que não. A compra a crédito existe há centenas de anos e as prestações foram feitas para alguma coisa. Não tenho pudor nem problema nenhum em comprar algo a prestações, desde que as condições sejam vantajosas. Aliás, se bem gerido este sistema funciona muito bem e, em termos económicos, para grandes somas de dinheiro, é claramente superior dado que não existe uma descapitalização imediata e brutal.

O que é que isto implica na prática?
Essencialmente, significa que posso cruzar o pagamento do bem que adquiri, com as despesas em upgrades, contando também com algum retorno por parte das vendas de material que já não uso. Isto permite-me recuperar pequenas partes do investimento, ao mesmo tempo que faço novos investimentos em upgrades. Tudo isto sem o ónus de ter gasto de uma assentada 1500/200/4000 euros e ficar limitado nos meses seguintes a não gastar um cêntimo a pensar no prejuízo.

Ficará mais caro a longo prazo? Eventualmente até pode ficar. No entanto encaro estas opções como um ALD, em que gasto um X específico por mês, e vou usufruindo do bem, com a vantagem de ele ser meu em qualquer altura após o pagamento ao vendedor inicial. E enquanto que quem paga 3000 euros de rajada sente a desvalorização na pele, eu sinto a desvalorização sobre o valor que pago mensalmente. Monetariamente até pode ser igual, mas em relação custo/usufruto/desvalorização, tenho a certeza que fico a ganhar.

E como opto por prazos mais pequenos, faço o prolongamento fictício dessa prestação, o que implica que todos os meses tenho mais uma reserva de capital para investir no que quiser, nomeadamente na bicicleta.

Esta filosofia permite ainda que eu possa ter tempo para decidir que componente funciona melhor ali, comparar e eventualmente experimentar várias opções antes de comprar. Como disse o Burning Dogma, tudo fica a nosso gosto, mesmo, sem compromissos ou concessões.

E as montagens à lá carte no verdadeiro significado do termo? Uma lista, uma montagem, produto final. Conheço muito pouca gente que acerte na mouche à primeira. Alguém que faça uma lista, junte esse dinheiro e depois se mantenha com o que elencou por um par de anos, sem fazer alterações, por mais que tenha pensado no espigão, nas rodas e no avanço é um caso raro. E o investimento, sempre o investimento. De rajada, súbito e impiedoso.

Está na nossa natureza a evolução. Seja funcional seja estética. E portanto, munido certeza dessa inevitabilidade, antecipo-me e faço da evolução um caminho, degrau a degrau, em que hoje gasto 5, amanhã 10, mas em que vou podendo gastar quanto quero, vou podendo escolher livremente e não tenho constrangimentos de nenhuma ordem.

Tudo muito bonito, mas resulta na prática?
Claro que resulta! Provei-o na BTT. Comecei com um quadro decathlon, estive um ano com um Canyon e agora, na altura certa, no negócio certo, com o investimento certo, tenho um quadro cannondale, que sempre almejei, montado com o material que fui criteriosamente escolhendo ao longo de dois anos.

E olho para a bicicleta, quero gastar mais dinheiro e não consigo. Porque está tudo lá. E tenho serias dúvidas que tenha ficado mais cara que a mesma Cannondale comprada em base e trabalhada até ao mesmo formato.

Aqui passou-se exactamente a mesma coisa. Os 1300 euros investidos até hoje na B'Twin, compravam uma bicicleta em que seria eventualmente necessário trocar algo, e duvido que estivesse exactamente como eu a queria. E lá tínhamos o bicho a moer para gastar mais x, ou y com a agravante de ter começado com um investimento inicial mais caro. Se eu queria trocar os periféricos para Ritchey WCS, era-me indiferente que os originais fossem da decathlon ou ritchey pro. Se eu queria os WCS, ia acabar por mudar de uma forma ou outra.

É claro que isto carece de muita ponderação. Pegar numa Sport 1 de 280 euros e artilhar, poderá não ser uma opção tão acertada. Há também que escolher o patamar certo para começar e pensar o que se consegue a partir daí. E claro, jogar com a disponibilidade financeira de cada um e os objectivos a que se propõe nestas coisas das bicicletas.

No meu caso o objectivo é criar máquinas de média/longa duração. Não tão fascinantes como uma bicicleta de titânio pensada ao pormenor e assumidamente construída para durar duas décadas, mas mais interessantes do que a mera bicicleta da moda, que todos os anos é a melhor de sempre e em que o show visual supera a racionalidade prática das partes que a compõem.

Tenho por isso ideias muito fixas e isso ficará bem vincado no próximo projecto que já está na calha e que já revelei parte aqui no fórum. Implicará uma profunda renovação de alguns componentes mas faço-o sem qualquer tipo de remorso, certo de que usufrui com qualidade do investimento que fiz até agora. No entanto parto para ele com a certeza de que ficará muito pouco por fazer, assim que dê corpo à minha visão um pouco como já acontece no BTT.

Mas isso não implicará uma estagnação. Apenas implica que neste projecto, quando tudo estiver verdadeiramente no ponto, só haverá espaço para desfrutar, nada mais.

A seu tempo...

fogueteiro
27-01-2010, 13:52
Se existisse só o amarelo, este mundo seria uma monotonia, e o mesmo se passa com as nossas opiniões:):). Eu prefiro ver o modelo que gosto, a cor os componentes o tamanho, etc, etc, experimentar e se gostar então comprar. Fico logo aliviado, porque me aborrece imenso andar a pensar no mesmo assunto muito tempo. Não tenho paciência para esperar pelo componente X ou Y ou porque está esgotado, blá, blá. Não tenho carteira para pagar não sei quantos €€€ em portes de cada vez que faço uma encomenda, nem arrisco a eventualidade de comprar e depois ficar decepcionado porque a coisa afinal não encaixa como dizia o pessoal lá do fórum :D. Percebes? Não condeno de forma alguma a tua opinião. Ao contrário que dizes eu sou dos que compra e não gasto dinheiro em melhorias. Posso dizer-te que esta bike tem +- 3 anos e só gastei dinheiro nuns pneus, porque se gastaram os de origem, no computador e nos bidões/grades porque não os traziam. De resto nem tenciono meter-lhe mais nada, a não ser por desgaste ou quebra, porque no final quando a trocar ninguem vai valorizar o que lá meti. A bike anterior andei com ela 10 anos e só troquei as peças que se foram gastando. daqui a uns 10 anos pego no dinheiro que poupei em upgrades e compro novamente um conjunto, melhor. São opiniões, e modos de agir diferentes... nada mais. Que o teu está bem ou mal nem sequer tenho o direito de discutir, tu é que sabes o melhor para ti e eu para mim

duchene
29-01-2010, 14:28
http://i49.tinypic.com/343p7d5.jpg

Ontem a ausência de chuva permitiu que retomasse os meus habituais treinos relâmpago nocturnos.

Desta feita a novidade estava precisamente na estreia das novas rodas.

Naturalmente os 35Km não dão de todo para ter uma percepção global de todas as características das rodas, no entanto, este tipo de raid urbano, permite que em poucos quilómetros, e de maneira sucessiva encontre um pouco de tudo, desde subidas longas a rampas rápidas e também zonas de velocidade o que permite analisar os principais traços de personalidade do conjunto.

Mesmo tendo em conta o efeito placebo, em que tudo o que é novo parece melhor, posso afiançar que efectivamente há dois grandes factores que caracterizam desde logo as RS80 face ás anteriores Aksium: maior precisão e maior rigidez.

Não quero de todo entrar numa guerra interminável, entre rolamentos e esferas, e muito menos na questão de "quem rola com menos atrito". Ao comum dos mortais será muito difícil quantificar as reais diferenças entre os dois, muito menos em termos de ganhos reais no terreno.

O que posso afiançar é que o conjunto é mais preciso no rolar. E a isto não é estranho o facto de a roda ser mais rígida e mais leve.

As aksium, actuavam com enorme ressonância face aos obstáculos da estrada. Havia o impacto inicial que se prolongava por mais uns décimos de segundo enquanto toda a roda vibrava. Com as RS80 o primeiro impacto é mais sólido (nem por isso mais brusco ou desconfortável) mas a rigidez superior encarrega-se de conter imediatamente a vibração subsequente. Esta solidez mantém a roda mais estável e proporciona a tal precisão que falava acima. Em zonas irregulares, há maior facilidade em manter a velocidade e a concentração.

Escusado será dizer que a aceleração melhorou a olhos vistos e nos curtos sprints, ou subidas inesperadas é muito fácil vencer a inércia inicial e atingir a velocidade de ataque. Nas subidas longas, não tive ainda oportunidade de testar convenientemente mas acredito que o menor peso será uma mais valia na redução do desgaste de longa duração.

A esta agilidade não será naturalmente alheio o facto de o aro ser bastante leve (relembro que é o mesmo aro das DuraAce), estando o peso da roda concentrado no cubo. Efectivamente rolam de forma mais ligeira do que o peso total pode fazer adivinhar e nesse aspecto fiquei bastante contente com a prestação.

São também incrivelmente silenciosas. Apenas com a deslocação do ar nos ouvidos, tinha bastante dificuldade em ouvir o som do cepo. São o total oposto das Aksium. Senti-me a rolar com algo desenhado por um suíço paranóico.

Este fim-de-semana infelizmente não deverá haver possibilidade de um teste mais alongado, no entanto o grosso das impressões iniciais está colhida.

Faltará naturalmente ver como se comportarão a longo prazo quer tecnica quer dinâmicamente, no entanto, o investimento está em grande parte, perfeitamente justificado.

pratoni
29-01-2010, 18:04
E a pedaleira kcnc, não a montas? Ou fica para a bmc?

duchene
29-01-2010, 19:29
Poderá ser para a BMC, se a loja me ligar como prometeu.

Para já esta destinada a ser montada quando trocar de corrente: propositadamente se for a BMC, ou mais daqui a um par de meses se mantiver este quadro.

Nuno Félix
29-01-2010, 22:30
BMC?

Explica lá melhor isso pois estou completamente descontextualizado....

:eek:

fuel100
29-01-2010, 22:48
Nuno felix, para perceberes a evolução dos acontecimentos, tens que ler toda a prosa do duchene que está para trás.

duchene
29-01-2010, 23:05
Nuno, podes apanhar o fio à meada aqui:

BMC Team Machine 2009 (http://forumciclismo.net/showthread.php?t=1196)

duchene
22-08-2011, 13:09
Depois mais de um ano e meio sem actividade, exige-se agora um pouco de arqueologia, para desenterrar este poeirento tópico.

Pois adivinhem lá quem é que vai voltar ao asfalto, depois de tanto tempo de inactividade... :D

É mesmo! Aproveitei os últimos dias para fazer algumas arrumações de fundo cá por casa e parei para olhar com olhos de ver para a B'Twin Sport 4, pendurada no gancho da oficina desde a chegada da BMC. Nunca tive coragem de a vender, mais não seja porque fiz com ela as primeiras aventuras a sério na estrada. Por isso foi ficando por cá, embora sem uso algum.

Mas desta vez parei para pensar na questão e, dado o potencial da bicicleta, poderei dar-lhe um bom uso como máquina de passeio semanal/invernal, poupando assim a exorbitante transmissão da BMC às voltas desconsoladas aqui nos arredores. Não que me chore, mas se tenho de coçar uns pratos tão caros como os Rotor, que seja em voltas verdadeiramente especiais...

Assim, aproveitando o facto de estar quase completa (falta apenas colocar cabos, espirais e fitas), vou tratar de a colocar em ordem de marcha nos próximos dias. A configuração andará perto da versão pré RS-80, algo assim:

http://img142.imageshack.us/img142/3047/acasfaltica01.jpg

Vou agora colocar fitas e espirais pretas, retirar os autocolantes das rodas e comprar um par de pneus novos, já que os Hutchinson estão feridos de morte com 2 cortes. Mais tarde preciso apenas de mudar a cassete (que já tem uns 12.000Km... :D) e vamos ver se me volto a habituar ao selim SLR. Caso contrário vem um Essax que boas provas tem dado na BTT.

E como por cá se encontra muita coisa nos caixotes de peças, terei uns sapatinhos específicos para usar à semana. Os meus primogénitos Specialized Comp Road voltarão ao activo já que as travessas terão de ser específicas para os pedais Look da B'Twin, impedindo o uso dos Sapatos S-Works uma vez que têm instaladas as travessas para os pedais Time que tenho na BMC.

Não faço ideia do peso actual, mas andará na casa dos 8.800g, porreiro para puxar pelo cabedal serra acima! Certamente que depois ao passar para os contidos 7100g da BMC, se vai notar alguma facilidade em dar voltas aos pedais... mais não seja nas primeiras centenas de metros :D

Está feito o ponto de situação. Vou tentar colocar algumas fotografias do regresso da B'Twin e claro, as primeiras sensações mal consiga fazer um teste de estrada.

duchene
23-08-2011, 14:51
Acho que me passou uma coisa má pela cabeça e vai haver para aí algum ataque de icterícia...

Sexta-feira já deve chegar a encomenda, e logo se verá no que dá!

Nuno Félix
23-08-2011, 16:13
Medo, muito medo....

duchene
23-08-2011, 20:10
É realmente caso para alguma apreensão... :eek:

Bem queria fazer um projecto stealth, já que tenho a benesse do quadro ser preto, mas pensei e pensei e achei por bem privilegiar mais a segurança do que a componente estética.

Como será previsível que faça alguns treinos nocturnos, especialmente no inverno, um pouco mais de visibilidade não fará mal nenhum. Vamos tentar encontrar um equilíbrio.

Por isso nada de alarme! Não ficarei com uma daquelas bicicletas da assistência neutra da mavic visíveis a 10Km de distância! :D

Nuno Félix
23-08-2011, 22:22
No meio disto tudo, o que é que vais fazer à bike, afinal? :confused:

:D :D :D :D :D

duchene
23-08-2011, 22:29
Então? Vai levar aquelas coisas que faltavam para a por a rolar e para a semana vai à Assunção para o baptismo como máquina de "treino".

Nuno Félix
23-08-2011, 22:30
Isso é muito vago....
De ti espera-se sempre algo refinado, peculiar e, acima de tudo, bem estudado e ponderado.

Ficamos a aguardar!

:D

duchene
23-08-2011, 22:41
Hummm não vale criar muito suspense. A máquina devoradora de euros é/foi a BMC. Isto é apenas o aproveitar de material que tinha aqui parado com a junção de um ou outro pormenor económico.

A Btwin será por isso apenas... funcional.

duchene
25-08-2011, 18:14
http://i51.tinypic.com/kmge8.jpg

Ora aqui está ela, pronta a ser intervencionada!

As rodas já não têm autocolantes, as espirais e fita foram dispensadas para o lixo e agora estou a aguardar pela encomenda que trará os novos cabos, câmaras de ar e pneus para iniciar a montagem. A fita já cá a tenho e servirá para ver se descobri a pólvora ou não, uma vez que esta custa metade do preço que normalmente pago pelas minhas fitas para a BMC...

Do que está na foto ainda vai sair a pedaleira, o aperto selim, os apertos rápidos de rodas e os pneus. O vermelho dos apertos vai dar lugar ao preto e a pedaleira será trocada pela Elita compacta, para manter a coerência com os andamentos que tenho na BMC.

Falta então a encomenda com as peças maiores, enquanto procuro os restantes pormenores para depois montar tudo e começar a desgastar a máquina.

Espero é não ficar desiludido com o aspecto final. Veremos...

Panta
25-08-2011, 19:22
Vende-me mas é isso.

duchene
25-08-2011, 21:44
Querias! E depois desta encarnação como bicicleta "de serviço" ainda vai passar a bicicleta de cidade antes de me livrar dela. Já me tinha esquecido como gosto das linhas deste quadro! :D

Josant
28-08-2011, 11:07
O que irá sair agora da cartola? Aposto que será um daqueles motores "made in china" para renderes mais :D

duchene
28-08-2011, 11:18
Desse tipo de "made in china" só mesmo as grades de bidão! :D

Tiago Navarro
28-08-2011, 11:32
Em quanto é que ficará fazer uma pintura de quadro? Nada contra a b'twin, mas a pintura não é propriamente apelativa. Revendo o esquema de cores somarias 10 pontos à estética. Só uma sugestão, caso não esvazie os bolsos.

Boa sorte com o projecto de reabilitação.

duchene
28-08-2011, 11:55
Obrigado pela sugestão, mas na altura da compra um dos factores que pesou, face à restante escolha disponível no mercado nesta gama de preço, foi precisamente o esquema de pintura relativamente sóbrio, apesar de eventualmente dispensar aquelas formas geométricas aleatórias.

Mas como a pintura está em excelente estado e dada a finalidade da bicicleta, é um investimento que não considero fazer...

zanzas
28-08-2011, 13:28
em quadros de alumínio é fácil . . . lixar, e comprar tinta de grafitti na station ou loja dessas cenas urbanas :P

só uma questão, porque não dás só uso a bmc ? sou apologista do "estraga, compra novo" lol . . .

duchene
28-08-2011, 18:49
Pintar com spray era certeza de ter um resultado final sofrível e amador, no mínimo. Uma boa pintura exige a devida preparação e qualidade nos materiais utilizados para que o resultado final seja, no mínimo, equivalente a uma pintura de fábrica. Mas, como já disse, não tinha sequer considerado a repintura do quadro porque além de gostar dela como está quero a bicicleta pronta a andar já durante esta semana.

Falando da opção B'Twin para as saídas mais pequenas: bastou fazer as contas ao material de desgaste, coisa que ate já deveria ter feito mais cedo.

A transmissão completa da BMC custa duas vezes e meia o preço do mesmo material para a B'Twin. E os pneus da máquina suíça são também mais caros.

Além do mais, qualquer componente da BMC danificado (por queda, bicicleta tombada ou outros) custa bem mais do que a equivalente na B'Twin.

Assim, tendo eu aqui a bicicleta parada, podendo poupar o material mais caro e não tendo a facilidade de 'estragar e comprar novo', esta é a solução que mais vantagens me traz.

Por outro lado, garantidamente que a BMC continuará a ter o merecido uso, como alias provam os números das ultimas saídas "a sério". Mas, desta forma, tenho a certeza que estará sempre pronta e no seu melhor, para desbravar mais estradas desertas e fascinantes como tão brilhantemente tem feito até agora.

rs76
28-08-2011, 22:19
Acho,que o duchene tem toda a razão e que esta a pensar bem . continua!!!

zanzas
29-08-2011, 08:28
então vá . . . não te esqueças de mostrar como ela ficou lol

alpha
29-08-2011, 12:46
Bem, este tópico é sem dúvida dos melhores que já li.
Cheio de informação bem estruturada e fundamentada na experiência dos quilómetros feitos.
Àparte a informação escrita a nota mais alta vai para as fotos. Adoro tópicos com boas fotos.

Parabéns e obrigado.
Boas pedaladas.

duchene
29-08-2011, 22:54
http://i56.tinypic.com/2l913ye.jpg

Hoje chegou a então, conforme previsto, a encomenda infectada com icterícia. :D :D :D

Confesso que ainda não estava muito convencido da escolha, mas não há nada como arriscar e esperar que tudo corra pelo melhor!

Assim, já apontei os principais componentes ao sítio para ter uma ideia do resultado final. E apesar de tudo, até não desgosto. Pelo menos tenho a certeza que vou dar nas vistas e isso é que me importa. A troca da pedaleira para a versão cromada da Elita foi um passo atrás, já que gostava mais da versão em preto. Pode ser que um dia arranje alguma coisa usada em preto que encaixe na montagem. Mas será mais por capricho do que por necessidade.

Estou a ultimar agora uns pequenos detalhes que farão a integração final deste novo amarelo no restante conjunto, nomeadamente no quadro, e ficará por aqui a coloração da B'Twin. Os restantes componentes que faltam (nomeadamente as grades de bidão, a fita de guiador e o aperto de selim) serão pretos.

Numa próxima visita à decathlon trarei as luzes de presença para a frente e para trás e estou em contactos para encomendar alguns detalhes em película reflectora, para aumentar a visibilidade nocturna.

Um pequeno percalço foi ter dado conta que não sei da porca de aperto do travão da frente. Vou tentar desenrascar uma na LBS bem como o elo rápido para a corrente, que me esqueci de encomendar.

Vamos ver se amanhã consigo ter a transmissão e/ou os travões a funcionar. As manetes ainda precisam de ser ajustadas e as espirais cortadas nas medidas finais.
Quarta-feira montagens finais e quinta-feira talvez dê para a primeira volta mais a sério.

Vou reportando a evolução!

Josant
29-08-2011, 23:17
LOL! Quantas pessoas leva esse táxi! :D

duchene
29-08-2011, 23:27
Agora que falas nisso, parece mesmo!

Vou mandar fazer a faixa axadrezada para ser ainda mais realista!!! :D

Já agora a Specialized já tinha feito algo parecido com a Langster, essa sim inspirada nos Yellow Cabs de NYC.

Nuno Félix
29-08-2011, 23:45
Gosto muito!

A pedaleira até encaixa bem, visto teres cinzento no quadro....


To be continued....

jimlizard
30-08-2011, 04:23
Gosto do resultado e acho que fazes muito bem em optar pela fita preta! :)

duchene
30-08-2011, 07:10
Obrigado! :D

De facto poderia existir a tentação de colocar também a fita amarela, mas para mim isso já era pôr pé em rama verde, nomeadamente a rama de malta que já liderou uma grande volta! :D

Como a bicicleta é para uso regular, sempre esteve nos planos que a fita fosse preta. Preta e aveludada! Depois mostro...

Danielkezia
30-08-2011, 09:35
André, temo em dizer que tenho uma camisola em casa que fica a matar com esse conjunto! A estrear!!

duchene
30-08-2011, 11:48
Se for uma camisola amarela de líder esquece! Essa e a das risquinhas de campeão do mundo, só quem as ganhou é que tem direito a passear-se assim vestido.

E eu agora só aceito doações de bonés de taxista!

pratoni
30-08-2011, 17:05
e a camisola de campeão da suíça não merece o mesmo respeito?... cof..cof...cof... :P

Paulo V.
30-08-2011, 17:09
Tenho de ler este topico todo desde o inicio... só agora vi que tinhas um taxi :D

duchene
30-08-2011, 17:09
Sabes, o problema é esse. Eu já estou farto de tentar explicar e a dada altura já desisti...

A camisola que eu envergo ultimamente nas voltas não é a de campeão Suíço. Muito menos é a do Cancellara, que nunca a vestiu (só o modelo anterior, de 2009).

Esta é a camisola que qualquer um dos atletas da selecção suíça de ciclismo enverga. Seja nas provas de estrada, seja nas de BTT. Mesmo o tipo que nunca consegue acabar uma prova... E esse tipo serei eu... que ainda tenho uma costela suíça. ;)

pratoni
30-08-2011, 17:23
ah ok. pensei que era a de campeão e não da selecção.

Peço desculpa por tal lapso... ;)

duchene
30-08-2011, 17:27
Já agora, a camisola de campeão suíço é esta que o Cancellara enverga, conquistada nos campeonatos deste ano:

http://www.tdg.ch/files/imagecache/468x312/story/cancellatitre.jpg

Josant
30-08-2011, 17:35
Lol!..........................

duchene
30-08-2011, 22:50
Mais um pequeno passo para a colocação da B'Twin a rolar.

Hoje consegui acertar todas as espirais de transmissão e colocar a corrente no sítio, uma vez que já comprei o elo rápido. A transmissão já foi toda afinada e está a funcionar na perfeição apesar da diferença de idades dos componentes. Vamos ver depois em carga se o comportamento se mantém. Ajustei também as manetes um pouco mais para cima e apertei tudo no sítio.

Entretanto arranjei, num golpe de sorte, umas grades de bidão da Xtasy, iguais às que tinha originalmente (e que entretanto ofereci a um amigo). Já estão também no respectivo lugar. 38g cada, em alumínio. Bem bom!

Continua no entanto a faltar a porca do travão da frente que a LBS não tinha. Amanhã vou tentar noutra loja uma vez que só falta cortar as espirais de travão (que é a parte que menos gosto...), colocar cabos e fitar o guiador para que esteja tudo pronto para o teste de estrada.

Amanhã à noite espero colocar uma fotografia já com a montagem completa do táxi!

alpha
31-08-2011, 08:12
duchene, já que vais enfitar o guiador poderias colocar umas fotos de como fazer a transição no corpo da manete?
Tenho de mudar as minhas e ainda não percebi bem como é feita a subida da fita.

Obrigado

duchene
31-08-2011, 10:11
Posso colocar mas eu fito de maneira diferente da maioria das pessoas já que começo do topo do guiador para os drops. E, por isso, as curvas nas manetes são feitas de forma diferente...

No entanto podes ver este vídeo muito bom sobre como fitar guiadores:


http://www.youtube.com/watch?v=YcS5fqm-030

Josant
31-08-2011, 10:16
lol...se fosse ao tipo tapava o avanço e tudo!

zanzas
31-08-2011, 10:40
esteticamente é a melhor maneira de fitar . . . também fito assim

Cancellara
31-08-2011, 10:47
@alpha: o cerne da tua questão está em quereres usar, ou não, as pequenas tiras de fita para tapar as abraçadeiras das manetes (como faz o tipo no vídeo). Eu agora não uso mas isso torna a tarefa de cobrir totalmente o guiador, e fazer bem a sobreposição da fita, muuuuuuito mais complicada. Ainda não consigo fazer isso de forma automática, perco sempre imenso tempo e tenho que reposicionar várias vezes a fita.

...

Quanto ao "novo" projecto do André Duchene, penso que faz bem em aproveitar o material que tem. Fica sempre com uma bicicleta de reserva para o que "der e vier". E, como não podia deixar de ser, esmerou-se :) Invejo-lhe o brio e a paciência... e a oficina ;)

Eu tenho tendência para oferecer (ou vender baratinho), aos meus amigos, o que tenho lá para casa a ocupar espaço. Da minha bicicleta original Poison, à excepção das rodas, selim e avanço, acabei por oferecer tudo.

duchene
31-08-2011, 20:14
Miguel, obrigado pela simpatia! :D

No meu caso fui mantendo a base da btwin por uma questão sentimental. E nem sequer a canibalizei para a BMC o que ajudou a que estivesse agora pronta para levar a revisão e colocar a andar.

As peças boas também não param muito tempo cá por casa, já que vão alimentando os outros projectos. No que vai ficando é a Maria que lucra. Até guiador de carbono tem na bicicleta de passear na marginal! :D

Depois há as caixinhas dos diversos que já não servem para muito, uma vez que são coisas tão remotas como um desviador Sachs da minha primeira bicicleta a sério, com gripshift e que me fez sonhar muitas vezes com as Cannondale da Equipa oficial...

.

Voltando à montagem... como já tinha dito num tópico aqui ao lado sou um bocado paranóico com as simetrias. Querem comprovar?

http://i54.tinypic.com/serv5j.jpg

Aproveitei o final de tarde chuvoso para fazer a parte que mais me custa, que é acertar as manetes e ajustar os comprimentos dos cabos que interagem com o guiador. Felizmente aqui só são dois. Na BMC é um caso um pouco mais complexo. :eek:

Consegui arranjar a porca que faltava para apertar o travão da frente num garageiro local que a desencantou no meio de outras milhentas peças variadas.

O resultado final está à altura do que exijo. Neste aspecto não há nada como fazermos para nós, conhecendo o nível de exigência. Logos da espiral simétricos, curvas simétricas, pontas dos cabos todas cortadas ao mesmo comprimento e tudo dentro da organização possível.

Agora é aproveitar a embalagem da chuvinha para fitar o guiador e já está pronta a ir para a estrada, permita a meteorologia...

Mais fotos em breve!

--

edit: Esqueci-me de referir que a pesagem preliminar acusou 8860g. Dentro das previsões, portanto.

Josant
31-08-2011, 20:36
Que assimetria feia! xD


E o verniz vai descascar todo! Toma!

zanzas
31-08-2011, 22:37
ainda há alguém mais paranóico que eu lol

duchene
01-09-2011, 10:01
@Josant
Dispenso esse tipo de macumbas e agoiros. Até porque não apresenta grande dificuldade lançar uma praga sobre algo que já é condenado ao insucesso.

A série WetBlack é a maior nódoa entranhada (e que nem com uma lavagem a 90º vai sair!) que já se fez em termos de revestimentos de peças de ciclismo, de aeromodelismo, de coleccionismo de pacotes de açúcar e de material de observação de sol da meia noite. Deveria ser motivo de vergonha para o cientista/artista/biscateiro que teve esta ideia de plastificar um avanço anodizado...

Tive um guiador de BTT que descascou na zona das manetes para depois alastrar ao restante. Nos últimos tempos passava o dedo e as lascas voavam em todas as direcções. Menos mal, fiquei com o guiador anodizado que se esconde por baixo.
Já conhecedor deste defeito, feito BURRO, comprei o kit completo para a de estrada, convencido que o ambiente mais protegido poderia fazer durar mais tempo aquele plástico que supostamente deveria ser verniz, que recobre as peças.

Puro engano. Já está descolado em alguns sítios e, inevitavelmente, irá começar a descascar um dia destes.

Para o efeito irá servir, mas escusado será dizer que risquei a Ritchey do mapa.

@Zanzas
Há sempre alguém mais maluco do que nós...

--

Pequeno update:
Ontem com o sono só coloquei uma das fitas. Deu para perceber que são de aplicação única em rotação única. Qualquer engano implica que, ao desfazer a última curva, a fita-cola vai trazer atrás um pouco da fita a que se sobrepôs.
Mas já vou tendo alguma destreza para que o trabalho ficasse satisfatório, à primeira.

O toque é muito interessante já que se trata de camurça sintética. Vamos ver como se aguenta agora à utilização regular.

alpha
01-09-2011, 10:02
Obrigado pelas dicas.

Paulo V.
01-09-2011, 17:45
Bom já li este topico todo e sinceramente fiquei admirado com a tua forma de pensar o mundo das bikes, digamos que é um pensar bem diferente do comum adepto fervoroso das bikes que gosta de ter o ultimo grito em tecnologia mesmo quando é apenas um aspirante neste vasto mundo que é o ciclismo.

Tal como tu, eu também antes de ter a Bianchi, tive outras bicicletas, uma das quais serviu de troca para venda para comprar a Bianchi e tal como tu a minha primeira bicicleta de estrada digna desse nome ainda a mantenho e é a minha companheira ainda actualmente em algumas voltas mais curtas, ou então mais propriamente para andar no inverno em que o clima ajuda a desgastar mais os componentes da bicicleta. Essa bicicleta é uma maquina toda em aço, nada de especial actualmente, mas há 19 anos atrás era das melhores coisas que se podia comprar na gama preços dos 600€ actuais (bicicleta completa), 120 contos na altura. Foi uma bicicleta que nunca levou upgrades ao longo da vida, a não ser as correntes e pneus que se desgastam com o passar dos Kms. À coisa de uns tres anos atrás chegou a altura de lhe fazer uns upgrades, dado que o desviador traseiro campagnolo de 8V tinha ficado com uma folga que não tinha conserto e teve de levar uma transmissão toda nova, assim sendo do conjunto inicial Campagnolo 8V ( o primeiro da Campy onde as mudanças eram nas manetes dos travões) , foi mudado as mudanças para umas campagnolo xenon, manetes e desviador traseiro e como os carretos já não serviam aproveitei para mudar as rodas para umas Fulcrum R7 e troquei também o selim para um Selle Italia C2.
Já estive para abrir aqui um topico sobre essa bicicleta... e depois de ler este topico talvez o faça, mas primeiro tenho de tirar umas fotos à bike e antes dar-lhe um pouco de lustro para parecer bonita.

Onde quero chegar com isto, simples, a compra de uma bicicleta é algo de muito complexo e que muita gente pensa que ao comprar determinada bicicleta de topo vai andar melhor e nem sempre isso é verdade, basta ler este teu topico para ver como uma simples bicicleta de uma loja se pode tornar numa bicicleta bem interessante para um ciclodesportista de fim de semana que não planeie fazer grandes aventuras nem longas horas em cima de uma bike.
Penso que a forma de evoluir no mundo das bicicletas é ir-mos comprando ou fazendo upgrades á medida daquilo que nós vamos evoluindo neste desporto, e não comprar por comprar ou comprar para mostrar.

Josant
01-09-2011, 18:26
@Duchene

Eu sei o que digo ; )

Pede garantia disso pá!

Nuno Félix
01-09-2011, 18:34
Eu faria o mesmo que o Jorge aconselha...

E as fotos, pah???

:D :D :D

duchene
01-09-2011, 19:05
@Paulo
Venha esse tópico. Felizmente ainda vai havendo lugar para sentimentalismo/saudosismo e por isso vão surgindo estes projectos. No meu caso não é um clássico, mas tem história e, mais importante, irá ter utilidade.

@Jorge e Nuno
Já tinha pensado nisso mas a garantia acabou há uns meses.

--

Hoje terminei a montagem com a colocação da fita que faltava e verificação hlobal dos apertos, folgas e funcionamento de todos os componentes.

Uma voltinha ao quarteirão para aferir que não havia nada de anormal e assim posso declara a B'Twin oficialmente pronta para rolar.

Deu para notar obviamente as diferenças para a BMC, mas ainda assim foi de sorriso rasgado que voltei a pedalar com o conjunto que deu origem a tão grande panca.

A registar:
Não tinha saudades da combinação cleats Look + Tijoleira! Nenhumas!

O engate dos Look é também pior em comparação com os Time. Juntando isto ao facto de terem uma folga enorme, coloca-os na lista de coisas a substituir. Mas sem pressa!

O Selle Itália SLR terá uma ultima oportunidade. Caso não aprove vai ser trocado também. Por um Exustar ou, algo similar.

De resto esta tudo óptimo e pronto para bons quilómetros pelas redondezas ou, quem sabe, por estradas desertas e fascinantes. Depende como se portar...


Já não devo conseguir fazer o teste mais a sério porque, alem de estar a chover, sábado será dia de volta grande e, por isso, não vou andar amanhã.

Quanto às fotografias, vamos ver se hoje dá para captar algumas poses! :D

Paulo V.
01-09-2011, 19:43
André, no meu caso também não é bem um classico, é uma bicicleta com história que já me levou a muitos lados, alguns deles bem miticos em Portugal e em Espanha, mas que ainda hoje continua a ter utilidade, pois foi uma bicicleta que nunca esteve verdadeiramente encostada ou na prateleira mesmo quando tive e continuo a ter uma segunda bicicleta de uma categoria mais elevada.
Agora que a bicicleta se enquadra dentro dos classicos e que trás muito saudosismo, lá isso é bem verdade... quanto mais não seja pela história e por olhar para trás e ver que se passaram 19 anos desde que a mandei fazer e por na altura perceber muito pouco do ciclismo bem como a informação demorava a chegar até nós, pois se queriamos informação a melhor forma era contactar uma loja e nem sempre a informação era bem transmitida. ou era deturpada á maneira da pessoa que estava na loja.

Vou tratar de lhe dar uma limpadela, tirar as fotos da praxe e depois abro aqui um topico na secção das antiguidades ;) ;)

duchene
02-09-2011, 10:35
Hoje de manhã levantei-me um pouco mais cedo e fiz uma dúzia de fotografias da B'Twin, meio a correr. Posso dizer que fiquei bastante contente com o resultado da montagem. Agora que todas as peças estão no sítio, ultrapassei o receio de ter ido um pouco over the top. Há amarelo sim, mas com a devida contenção para o achar interessante e não piroso.

Ficam então os registos possíveis:

http://img97.imageshack.us/img97/3153/acbtwin01.jpg

http://img202.imageshack.us/img202/6541/acbtwin02.jpg

http://img847.imageshack.us/img847/6038/acbtwin03.jpg

http://img32.imageshack.us/img32/3421/acbtwin04.jpg

http://img828.imageshack.us/img828/1685/acbtwin05.jpg

http://img829.imageshack.us/img829/2091/acbtwin06.jpg

http://img690.imageshack.us/img690/1360/acbtwin08.jpg

http://img21.imageshack.us/img21/407/acbtwin09.jpg

http://img832.imageshack.us/img832/7723/acbtwin10.jpg

Deixo também uma antevisão da decoração que irá substituir os autocolantes originais das Aksium Race que entretanto removi:

http://img405.imageshack.us/img405/6999/acbtwin99.jpg

Além desta tira nos cubos vou colocar um pequeno marcador igual nas válvulas. No aro em si, estou à espera de ver o que o mercado tem em termos de material reflector que será combinado com o lettering em preto brilhante. Discreto mas eficaz, como se pretende.

As linhas vermelhas do quadro serão também tapadas com vinil amarelo e o aperto de selim vermelho irá dar lugar a um preto, harmonizando ainda mais o conjunto.

Vamos a contas?
Fita de guiador + espirais + 2 pneus + 2 cleats + 2 grades de bidão = 77€

E assim se faz uma máquina de treino...

paradawt
02-09-2011, 10:50
Sempre optaste pelo KCNC ;) por algum motivo especial?!

Está a ficar uma gatinha... Porquê a escolha do amarelo?! Não é uma questão depreciativa porque se encaixasse, gostava por exemplo de ter fitas em cor-de-rosa. Nas bikes gosto mesmo de ver cor-de-rosa.

Abraço e óptimo projecto.

duchene
02-09-2011, 10:58
Tás a dormir W.!


(...) e o aperto de selim vermelho irá dar lugar a um preto (..)

Ainda não passei foi na loja para ir buscar o aperto novo...

--

A escolha do amarelo prendeu-se com uma questão de visibilidade.

Como a ideia é usar a bicicleta para as saídas de final de dia, e como os dias vão começar a ficar mais curtos, com menos luz solar, toda a ajuda é útil em que se perceba que vai ali um ciclista.

A minha ideia original era colocar tudo preto, fazendo assim um projecto mais discreto, mesmo como eu gosto. Mas acabei por me cruzar com as espirais amarelas da Jagwire e como gosto do contraste do amarelo com o preto, os pneus e a restante decoração vieram atrás.

Obviamente que funciona melhor vista lateralmente, mas vou entretanto compensar com algum material reflector na parte traseira e, também, com iluminação LED à frente e atrás.

O rosa eléctrico funciona muito bem também com o preto, mas os Lithion estão disponíveis numa gama limitada de cores e teria de me cingir às cores que poderiam fazer conjunto com os pneus.

Fitas de outra cor que não o preto estão fora de questão pelo facto de se sujarem com facilidade e exigirem mais atenção para se manterem apresentáveis.

paradawt
02-09-2011, 11:21
Estou mesmo a dormir ;) andar a dormir 5h por dia não me tem feito nada bem!

Eu gosto do amarelo atenção... Estava apenas a questionar o porquê da escolha! Penso que é uma opção muito interessante e que assenta extremamente bem!

duchene
02-09-2011, 11:30
Eu percebi!

De qualquer forma, o mal já está feito! LOL :D

Cancellara
02-09-2011, 11:59
As tiras amarelas no quadro vão dar o toque que falta. Tenho a certeza que vai ficar muito bem.
De que cor vão ser os bidões? Amarelos :) ?

duchene
02-09-2011, 12:03
Até podiam ser porque a LBS tem uns da mavic completamente amarelos. O problema é que ficam feios rapidamente. Assim irei optar por uns transparentes da decathlon e que custam metade do preço...

Josant
02-09-2011, 12:44
Já agora não te esqueças de uma meias................................amarelas :D

Que rico pan-dan!

alpha
02-09-2011, 13:38
Parabéns. Ficou bonita.

Acho que ainda nunca tinha visto uma bike tão bem montada no que a simetrias diz respeito. Desde as bichas, aos pneus... e a limpeza das peças todas. Digo isto com admiração, pois uma bike limpa ganha outra vida.

Boas pedaladas.

duchene
02-09-2011, 13:50
Obrigado Alpha.

Apesar de ter 10.000Km ainda tem um ar apresentável. Obviamente já tem aqui e ali algumas mazelas, pese embora o cuidado que tento ter durante o "manuseamento". Ossos do ofício... A limpeza, essa é intrínseca a uma coisa que se cuida.

A simetria não tem muita ciência:
Nos pneus coloco sempre a marca na posição da válvula para ser mais fácil de encontrar. O bónus é precisamente o facto de ficarem simétricos...
Nas manetes Shimano com cabos exteriores basta acertar o comprimento da espiral de um dos lados. O outro é cortado à mesma medida e ficam logo a cruzar no centro.
As espirais de travões são mais complicadas porque são de comprimentos e direcções diferentes, mas vai-se cortando de meio em meio cm até fazer a curvatura desejada.
A fita também começa à mesma distância do logótipo do guiador quer do lado esquerdo, quer do lado direito.

No fundo é uma questão de fazer as coisas com gosto. Perde-se mais uma hora na montagem mas, como dizes, um olhar mais atento denuncia esses pormenores que distinguem.

Paulo V.
02-09-2011, 15:42
Excelente montagem, para bike de treino está um mimo.
Excelentes pormenores de montagem tornam esta bike uma estrela nas fotos.

Mas não penses que és o unico com a paranoia das simetrias, aqui o jê também tem essas paranoias, montagem de pneus é sempre com a marca a coinciir com a valvula, cruzamento e ordenamento de cabos tem estar rigorasamente cenntrado e alinhado.... enfim pormenores.

duchene
06-09-2011, 10:36
E ontem foi a estreia desta nova versão da B'Twin na estrada!

Estava tudo pronto desde a semana passada, mas entretanto a metereologia não esteve de feição e, por isso, só agora foi possível fazer o primeiro teste de estrada.

Tinha planeado esta volta (http://app.strava.com/rides/1512463). 60 Km, incluindo uma das subidas do Monte da N.S. Assunção, neste caso a subida por Roriz que depois segue para as imediações de Paços de Ferreira. Isto permitiu fazer um treino muito rolante e incluir também uma pequena e suave subida de 8Km para quebrar a monotonia. Bom para fazer ajustes caso fosse necessário e para verificar que tinha ficado tudo bem apertado na montagem. :D

Obviamente que quem está habituado a comer pão-de-ló estranha um pouco quando passa a comer broa! E neste caso não foi diferente…

Mais 1600g, a ausência quase total de carbono nas zonas de contacto e a falta de componentes aeroespaciais fazem da B'Twin uma bicicleta mais… como hei de dizer… rude!

O peso extra, faz-se sentir sobretudo em dois aspectos: a maior dificuldade em acelerar e, por oposição, a maior facilidade em manter a inércia, tornando-se mais fácil manter uma velocidade alta em zonas mais rolantes. Por oposição, nota-se uma menor agilidade nas transições de velocidade a subir, especialmente na passagem da posição sentado para quando passo a pedalar em crenques. Há ali um momento de "empastelamento" que depois é vencido e então temos reacção e movimentação positiva para a frente.

Para já ainda não deu para aferir o comportamento numa subida "a sério" até porque ainda nem sequer usei o prato 34, mas em breve esclareço essa incógnita. Obviamente que espero algum sofrimento adicional naquelas rampas inglórias… :D

Em termos de conforto a B'Twin está, como seria de esperar muitos furos abaixo da BMC. Apesar da BMC ser uma caixa de ressonância devido ao carbono e de ter o crónico problema dos cabos internos volta e meia acordarem toda a vizinhança, tem um conforto incrível quando comparada com a construção maioritariamente em alumínio da sua congénere.

A B'Twin é extremamente "seca" e os impactos com as irregularidades da estrada (pequenas ou grandes) são bem notórios. Em paralelo então nem se fala, já se sou generosamente sacudido de um lado para o outro. Apesar de tudo é um pouco mais silenciosa em piso irregular, pese embora o facto dos pedais já terem alguma folga e a corrente ter menos tensão do que com um desviador de caixa curta.

Toda esta vibração é passada ao guiador e nota-se o constante massajar dos braços, ao sabor das pouco aveludadas estradas aqui da região.

Para filtrar algum desse desconforto surge a fita e essa é fantástica! Tem um toque aveludado, muito agradável e permite um agarrar extremamente sólido ao guiador. Até apetece andar sem luvas… mesmo que eu ande sempre sem luvas! :D Foi, sem dúvida, o componente que mais me agradou.

Quando anda meio mundo a fazer a habituação ao sistema SRAM, vindo de Shimano, eu estou a fazer o contrário. Ainda dei comigo um par de vezes a tentar subir mudanças com a patilha pequena! O resultado é óbvio, com a mudança a descer ao invés de subir… Muito agradável quando já vamos em esforço… :D

As manetes são muito menos ergonómicas do que as SRAM, mesmo para quem tem mãos grandes como eu. Safa-se o facto de a alavanca ser maior e, por isso, exigir menos esforço para a movimentar. A saída lateral do cabo até acaba por não incomodar muito, apesar do polegar volta e meia lá dar umas cabeçadas.

Ao estilo Shimano, a movimentação mecânica existente quando se altera a mudança é muito suave e silenciosa. Mas depois segue-se uma pequena "eternidade" até que aconteça algo no desviador. :D Obviamente que não é isto que ensombra a qualidade e precisão das mudanças, sendo que o grupo 105 cumpre perfeitamente a função.

No meu caso, como devem ter reparado pelas fotografias, mantenho o conjunto de desviadores originais, para mudanças triplas, o que implica caixa longa no desviador traseiro e uma caixa mais robusta e maior no desviador dianteiro. Aparte do peso extra e da corrente ficar mais longa do que o realmente necessário, não há nenhuma desvantagem nesta configuração. Aliás, até lida melhor com os cruzamentos de corrente do prato grande para os carretos maiores.

A nível de espirais, até porque ainda são novas, tudo funciona com a suavidade e precisão esperadas. E o amarelo é bonito ao sol!

Mas nem tudo são rosas sem espinhos...

Já não estava habituado à forma de encaixe dos pedais Look, especialmente ao facto de ficarem praticamente virados "ao contrário" quando estão em descanso. O encaixe é muito menos intuitivo do que nos Time. Além do mais, enquanto que nos Time consigo pedalar com confiança no verso do pedal (ao entrar num cruzamento em que o encaixe falhou, por exemplo) nos Look estou sempre com receio que o sapato escorregue e eu fique apeado a jeito de levar uma pantufada de um camião de fruta… Já para não falar nos cleats suicidas! Por isso, e como já têm alguma folga no eixo, vou estando atento ao mercado no sentido de comprar uns Time i-Clic, para harmonizar a frota em termos de pedais.

O selim continua a ser o grande calcanhar de Aquiles… Depois de anos em que o SLR foi o meu selim de eleição, de um momento para o outro comecei a não o suportar! Ontem fiquei mais amassado em 60Km do que em 200 com o speedneedle. Não é uma questão de regulação porque já fiz os devidos acertos. Apenas não consigo um encaixe sólido e ando sempre a mudar de posição.

Está, por isso, definitivamente fora da montagem e na próxima saída já irei experimentar o Essax que tenho na Cannondale, para aferir do conforto que proporciona em estrada. No BTT, sem ser perfeito, é o selim com que melhor me tenho dado ultimamente, por isso pode ser que resulte. Caso contrário…

Em suma, aparte da questão do selim e dos pedais, estou plenamente satisfeito com a forma final da B'Twin. Proporciona-me precisamente o que pretendia em termos de simplicidade como bicicleta do dia-a-dia e permite poupar a máquina mais valiosa para passeatas mais valiosas.

Agora é cumprir com o fundamental que é dar uso à ideia. Por isso, amanhã há mais! :D

pratoni
06-09-2011, 15:04
e fotos em acção?...

duchene
06-09-2011, 15:07
Nestas voltas de semana normalmente não tiro fotografias, porque não há grandes pontos de interesse, mas também para não parar e quebrar o ritmo. E como ando a solo, não há quem possa fazer o retrato a mim...

Mas na próxima saída faço uma pequena paragem e já tiro uma foto da geringonça no seu ambiente natural. :D

duchene
07-09-2011, 22:15
Questão 6.2
Complete a expressão: Coisa gabada, _________________

a) coisa adorada
b) coisa apimentada
c) coisa estourada
d) coisa empenada
e) coisa animada
f) coisa estragada
g) coisa nenhuma

Se escolheu c), d) ou f) está certíssimo!

Pois é, depois de tanto elogio, alguma coisa tinha de correr mal... :D

Hoje ia eu todo animado para mais 50km de passeata, com a novidade de ter instalado o Essax Adrenaline e estar a pedalar muito muito mais confortável do que com o Selle Italia SLR.

Primeiros 6Km de estrada sem nada a registar, aponto a Recarei e no primeiro pedaço de estrada inclinada que apanho, uma pedalada mais vigorosa e "PAFFF!"

Estouro na traseira ou é corrente ou furo, ou raio partido, pensei logo. Como a corrente estava no sítio e o pneu gordinho, nem foi preciso procurar o suspeito seguinte. Ali estava um raio das supostas rodas de treino indestrutíveis ao dependuro...

Roda fica imediatamente feita num 8... roça na escora em cima, roça na escora em baixo, roça no travão... Bonito serviço!

Alargar o travão não resulta, por isso desengato o cabo para dar ainda mais espaço. Esforço inútil já que agora é a escora que está no caminho... Tento apertar o eixo "de esguelha" mas nada. Caso preto portanto...

Não tinha chave de raios por isso restava-me começar a andar, com o mau jeito de ter de ir com a traseira no ar e com uns cleats que estalavam a cada passada. Hoje já se gastaram para meio ano!

Felizmente estava a 500m de uma loja que me emprestou a chave de raios. Aliviei os raios vizinhos e alguns do lado oposto e consegui que a roda pelo menos não roçasse na escora. 6Km em crenques e em pedalada ventoinha até casa, para não partir mais raio nenhum.

Amanhã lá está a roda no mecânico...

A vantagem de ter 2 bicicletas é que bastou trocar de sapatos e já estava na rua novamente com a BMC. Lá se vai o conceito de poupança da transmissão! Pelo adiantar da hora já não deu para mais do que andar a fazer "piscinas" aqui no autódromo do burg, mas pelo menos não fui para o sofá.

A ver se consigo ter a roda pronta para (re)fazer uma voltinha sexta de manhã...

joao49
07-09-2011, 22:21
iii que cena...estragou te o treino..olha é normal realmente ao partir um raio a roda ficar empenada mas por acaso nao tens raios demasiado apertados para que ao partir um raio a roda fique logo logo num 8??a tensao exagerada nos raios tambem ajuda a que acontecam esses desastres..
abraço 49

duchene
07-09-2011, 22:24
A roda ainda tem as tensões de fábrica. Nunca lhes mexi até porque o empeno que tinham era negligenciável.

Mas como tem relativamente poucos raios, é natural que fique mais empenada. Agora na colocação do raio já devem acertar tudo para que não se volte a repetir... espero.

joao49
07-09-2011, 22:35
tambem ja tive umas akium quando ainda tinha 87 kilinhos :) e felizmente nunca parti nehum raio..olha isso sao ossos do oficio lol aproveitas metes o raio e ja reves a tensao em todos os raios.
abraço 49

Paulo V.
08-09-2011, 13:25
É mesmo muito azar, gosto muito da Mavic mas nunca gostei das Aksium e na altura de optar por umas rodas do mesmo preço quando necessitei de umas rodas baratas escolhi as Fulcrum R7 que me parecem muito mais resistentes a todo o tipo de torturas que as Aksium isto também para não dizer que aparentam ter uma melhor qualidade final.
Espero que resolvas isso o mais rapido possível e que não volte a acontecer pois queremos ver a Btwin a brilhar na estrada aos finais do dia.

Morg
08-09-2011, 16:35
Nunca pensei que fosse possível partir um raio das aksium:)
Pensava que eram indestrutíveis! Eu peso 65Kg.

duchene
08-09-2011, 20:29
E pronto, está a roda na loja trocar o raio partido e reafinar os restantes que foram mexidos durante a operação de salvamento. Amanhã já a devo ter comigo embora só volte a rolar com a B'Twin na terça-feira.

De facto as rodas são bastante robustas, apesar de serem mais vistas que sei lá o quê. Mas isso também é transversal à gama completa da Mavic... Neste caso terá sido eventualmente a fadiga anormal do metal que determinou a quebra ali, junto à cabeça do raio. Acredito que seja um evento difícil de repetir e tendo em conta as características económicas do projecto, as rodas serão naturalmente para manter.

Entretanto nem tinha feito o update acerca do aperto de espigão. Passei na loja na terça-feira mas não tinham o aperto que eu queria, na medida pretendida. Já ficou encomendado e depois quando chegar, avisam-me.

O selim Esssax, esse será então para manter na B'Twin. Estou agora numa fase de ponderação sobre o que fazer na Cannondale de BTT que ficou sem selim. Essax ou algo mais exótico... A ver vamos...

pratoni
09-09-2011, 11:59
duchene, qual é a medida do aperto do espigão de selim?

Também ando a pensar trocar, mas não sei o tamanho daquilo...

duchene
09-09-2011, 12:17
É uma medida bastante comum: 31.8mm

pratoni
09-09-2011, 12:42
gracias!! :)

Nuno Félix
09-09-2011, 15:00
André, prá semana já ficarás com o aperto disponível?

Nuno Félix
15-12-2011, 15:26
E novidades quanto à B'twin?

duchene
15-12-2011, 16:00
Não são muitas Nuno.

Esteve uns tempos parada à espera da roda, que teve de ser praticamente enraiada de novo, tal era o empeno. Com a chegada da chuva ficou confinada ao indoor, fazendo esporadicamente rolos, nos dias em que eu já parecia um urso na jaula, às voltas em casa sem poder pedalar. Pelo caminho recebeu uns apertos de roda novos que não serviram na Cannondale e que ficaram todos pipis.

Se não chover durante a próxima semana, pode ser que vá fazer uma brincadeira à Agrela ou à Assunção...